Uma série de irregularidades trabalhistas e fiscais marca a administração da Usina Central do Paraná, em Porecatu (85 quilômetros de Londrina), pertencente ao Grupo Atalla. A empresa acumula uma dívida de R$ 5.617.702,02, conforme a relação dos cem maiores devedores do Estado do Paraná inscritos em dívida ativa, divulgada no ano passado pelo Tribunal de Contas (TC). O valor se refere integralmente à dívidas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O montante coloca a usina na 28ª posição entre os maiores devedores e corresponde a 0,79% do total da dívida, que é de R$ 713.170.074,18, segundo o TC.
Há ainda rumores de que a usina tem dívidas de impostos, de várias naturezas, com os governos estadual e federal. O delegado da Receita Estadual de Londrina, Carlos Gilberto Schafer, disse que está impedido de dar este tipo de informação. ‘‘Só podemos divulgar com autorização da empresa.’’
O Ministério do Trabalho (MT) confirma as denúncias de irregularidades na contratação de pessoal. ‘‘Lá é tudo irregular’’, afirmou o subdelegado Regional do Trabalho de Londrina, Dorival Silvestre Arantes. Em época de safra cerca de oito mil pessoas de dezenas de cidades se empregam na usina.
Segundo Arantes, de agosto a novembro do ano passado, sete auditores do MT fiscalizaram a usina e levantaram cerca de 100 contratos irregulares. ‘‘Não recolhem o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não pagam os 40% devidos nas rescisões de contrato’’, garantiu Arantes.
O subdelegado disse ainda que a Procuradoria da Justiça do Trabalho do Paraná já foi informada da situação. ‘‘Esperamos agora que os sindicatos que representam os trabalhadores solicitem uma reunião para que se defina uma solução’’, declarou Arantes.
A situação dos impostos da Usina Central Paraná com a Prefeitura de Porecatu, administrada por Dionisio Santos de Souza, do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda não foi levantada pela atual gestão. ‘‘A antiga administração não permitiu que tivéssemos acesso a este tipo de informação’’, disse o vice-prefeito Osvaldo Sana (PT).
A usina está paralisada desde o dia 12, depois que cerca de seis mil trabalhadores, sem receber o 13º, salário de dezembro e acordos rescisórios, entraram em greve. Na última sexta-feira, os grevistas rejeitaram a proposta patronal, que previa o pagamento do 13º para amanhã. Os acordos trabalhistas e salário de dezembro seriam pagos até o dia nove de fevereiro. O pagamento de janeiro sairia em fevereiro.
A reportagem da Folha tentou novamente contato com a diretoria da usina, mas não obteve retorno das ligações. A empresa não tem assessoria de comunicação.
Segundo vários trabalhadores, que preferiram não se identificar, somente os assinantes da Folha puderam ler as matérias que o jornal está publicando sobre a greve. ‘‘Alguém comprou todo o pacote que chegou nas bancas’’, disse um funcionário. Na frente dos portões da empresa uma placa com um desenho de um litro de veneno e uma caveira avisa que ‘‘curiosidade mata’’.

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