Usiminas aposta em regime de cotas para exportar à Argentina
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 21 (AE) - O presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, acredita que o Brasil e a Argentina fecharão o mais rapidamente possível um acordo para estabelecer um regime de cotas e preço mínimo para a exportação de aço brasileiro. Segundo ele, já há um consenso firmado sobre as cotas, mas ainda há divergências sobre o preço mínimo a ser estabelecido. Soares disse que o governo brasileiro e os empresários do setor defendem que o preço mínimo fique no mesmo patamar acordado com os Estados Unidos.
Na última sexta-feira, Soares encontrou-se com o diretor da siderúrgica argentina Siderar, Xavier Tizado, durante reunião de empresários do setor, em Miami. De acordo com Soares, há "muita disposição" por parte dos argentinos para que se encontre uma solução para o problema".
A acusação de que as empresas brasileiras estariam praticando dumping partiu exatamente da Siderar. "Tenho certeza que vamos chegar a um bom termo", afirmou Soares.
Até o final deste mês ou começo do próximo, o presidente da Usiminas espera que o acordo que estabeleceu o regime de cotas e preço mínimo com os Estados Unidos esteja em vigor, já que ele ainda não foi aprovado oficialmente. Segundo Soares a negociação com os Estados Unidos "foi um tremendo sucesso", justificando sua avaliação pelas dificuldades do cenário macroeconômico mundial.
A partir do acordo com os Estados Unidos, o volume das exportações brasileiras do setor de aços planos sofrerá uma sensível redução. No ano passado, foram exportadas 400 mil toneladas de aço. Neste ano a produção das siderúrgicas brasileiras cairá a medida que nem o comprador nem o produtor querem correr risco.
No ano que vem, a estimativa de Soares é de que o setor exporte entre 250 mil e 300 mil toneladas. Este cálculo engloba a produção da Usiminas, Cosipa e CSN.
O impacto do estabelecimento de um acordo com a Argentina ainda não foi estimado, conforme Soares. A Usiminas, no entanto, não será prejudicada porque exporta apenas lâminas a frio para aquele país. "Quem quiser manter o mesmo volume de exportação, terá de encontrar outros espaços", sugeriu Soares, citando como possibilidades o sudeste asiático e a Europa.
Desempenho - Neste ano, a Usiminas deve repetir a produção do ano passado: 3,2 milhões de toneladas de produtos. Em 1998, houve uma redução em relação ao ano anterior em função da recessão do último trimestre. Agora, além da recessão, a produção sofrerá o impacto do desligamento de um alto-forno que será reformado.
Segundo Soares o forno, que responde por 60% da produção da siderúrgica foi desligado no último dia 14 e só voltará a funcionar em novembro. A empresa estocou placas de aço que agora estão sendo laminadas, o que não afetará o seu fornecimento.
No próximo ano, com a perspectiva de um crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), a Usiminas deverá produzir 3 6 milhões de toneladas de produtos. De acordo com Soares, o mercado doméstico é e continuará sendo o grande alvo da empresa.
No ano passado, 85% da produção foi vendida no País, contra 15% ao exterior. Neste ano, a proporção será de 75% contra 25%. Já em 2002, as restrições à exportação farão com que apenas 20% dos produtos sejam vendidos ao exterior.


