USF estuda dosagem de antibióticos contra úlceras
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por LIANA JOHN 
Campinas, SP, 27 (AE) - A eficácia dos tratamentos com antibióticos contra úlceras e gastrites pode variar muito, dependendo da flora bacteriana do paciente. Quem determina tal eficácia (ou o grau de ineficácia) é a bactéria Helicobacter pylori, presente no organismo de pessoas sãs e doentes, responsável por 80% dos casos de úlcera de estômago e duodeno e 90% dos casos de gastrite.
De acordo com estudo feito na Universidade São Francisco, USF (http://www.usf.br), de Bragança Paulista (SP), a mesma dose de antibióticos ministrada a um paciente com H. pylori e outro sem a bactéria chega ao suco gástrico em quantidades diferentes. E é bem menor quando há a presença da bactéria, justamente quando o antibiótico é mais necessário.
"Os tratamentos mais comuns contra úlceras e gastrites envolvem o uso do bloqueador de acidez Omiprazol juntamente com um antibiótico, mas não se sabe, na verdade, como os remédios funcionam", explica José Pedrazzoli Júnior, coordenador da pesquisa. "Estamos fazendo a dosagem de quatro antibióticos diferentes no suco gástrico depois de ministrar o medicamento por via endovenosa em 14 pacientes com H. pylori e outros 14 pacientes sem a bactéria, sempre uma semana após iniciar tratamento com o bloqueador de acidez, para seguir os procedimentos mais corriqueiros", conta.
Os resultados para o primeiro antibiótico testado - Metiomidazol - demonstram que a presença da bactéria no estômago diminui a quantidade de antibiótico secretado no suco gástrico e, portanto, diminui o efeito do medicamento.
A equipe de Pedrazzoli Jr. - formada por quatro pesquisadores, uma enfermeira e cinco estudantes - também está avaliando a resistência da bactéria aos quatro antibióticos. "Encontramos cerca de 40% de resistência ao Metiomidazol, contra- indicando seu uso", alerta o médico. Segundo ele, a resistência varia muito de localidade para localidade, dependendo das cepas das bactérias e do uso daquele antibiótico pela população. O Metiomidazol é muito usado no Brasil para outros problemas - contra giárdia por exemplo - e a bactéria H. pylori adquire resistência facilmente.
Os resultados relativos ao segundo antibiótico estudado - Claritemicina - serão divulgados dentro de duas semanas. O estudo, iniciado há um ano, deverá terminar ainda em 1999. A dosagem dos antibióticos no tratamento contra úlceras e gastrites é parte de uma pesquisa maior, que inclui a avaliação dos tratamentos mais comuns quanto à erradicação da bactéria H. pylori, estudo que deverá ser concluído em meados do ano 2000. Os recursos, 300 mil reais, são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br).
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