São Paulo, 22 (AE) - A crise econômica na ásia e na Rússia deve contribuir para um enfraquecimento das perspectivas do comércio agrícola dos Estados Unidos nos próximos 10 anos, de acordo com as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos até o ano 2008. O USDA divulgou as projeções para 10 anos no começo de seu Fórum Anual de Perspectivas para Agricultura, que vai até amanhã em Arlington.
Mas os economistas do USDA alertam que as projeções de curto prazo são baseadas em dados de novembro, que podem ter mudado substancialmente desde então. Por exemplo, os dados não levam em consideração a recente desvalorização cambial no Brasil.
O USDA projeta que as exportações agrícolas americanas devem declinar até o ano 2000, mas crescer para quase US$ 78 bilhões em 2008. "A forte competição no comércio mundial de milho com a Argentina bem como o crescimento moderado da demanda importadora, particularmente para a China, que deve ser um exportador até 2005/2006, devem gerar ganhos nulos nas exportações de milho dos EUA", diz o relatório.
Conforme o USDA, a demanda mundial está reduzida para muitas culturas americanas até 2002. No longo prazo, o crescimento global mais favorável deve sustentar aumentos no comércio e nas exportações agrícolas americanas, embora os ganhos sejam em parte neutralizados pela forte competição de exportadores e por um crescimento apenas moderado na demanda importadora em alguns mercados, tais como os de grãos para a China.
Conforme o relatório do USDA, a área plantada das oito principais culturas - milho, sorgo, cevado, trigo, arroz, algodão e soja - deve crescer quase 10 milhões de acres até o ano 2008. Inicialmente, a área plantada para as culturas irá recuar um pouco nos próximos anos devido aos preços baixos e à fraca demanda, mas a área deve voltar a crescer novamente em 2002, segundo o USDA.
As mudanças no complexo carne nos EUA no curto prazo refletem o forte declínio nos preços de grãos e do farelo de soja em comparação com os altos níveis da safra 95/96. No longo prazo, os preços menores da ração, a recomposição das ofertas de alimentos, a inflação baixa, a forte demanda doméstica e os ganhos nas exportações devem contribuir para aumento do retorno dos produtores, o que encoraja uma maior produção de frango e de suínos, embora seja esperada apenas uma expansão cíclica moderada para a carne bovina, informou o USDA. "O rebanho bovino vai crescer apenas ligeiramente de uma baixa cíclica de quase 97 milhões de cabeças no ano 2000, permanecendo abaixo das 100 milhões de cabeças em 2002-2004 antes voltar a cair, uma vez que os retornos dos produtores fornecem incentivos econômicos para apenas uma expansão moderada e breve", informou o USDA.
A renda agrícola líquida nos Estados Unidos deve declinar nos primeiros anos da projeção, caindo para US$ 44 bilhões no ano 2000. As menores receitas com a agricultura devido às maiores ofertas globais e à fraca demanda são a principal causa do declínio na renda agrícola no curto prazo. Depois do ano 2000, a renda agrícola líquida deve crescer gradualmente até 2008 devido ao fortalecimento da demanda, informou o USDA.
Nos últimos anos das projeções, a renda agrícola deve exceder os US$ 50 bilhões. Os valores dos ativos agrícolas devem crescer até 2008, principalmente devido aos ganhos no valor das terras agricultáveis. Com o valor dos ativos crescendo mais do que os débitos, a expectativa é de relativa estabilidade nas condições financeiras do setor agrícola.
De acordo com o relatório do USDA, o crescimento global no comércio agrícola mundial e nos EUA será lento nos próximos dois a três anos por causa da demanda enfraquecida em mercados importantes, tais como ásia e ex-União Soviética. O comércio global, contudo, deve continuar a ser sustentado pela demanda em outros mercados, como América Latina, áfrica do Norte e Oriente Médio.
No curto prazo, as exportações agrícolas dos EUA devem enfrentar maior competição graças aos ganhos de produtividade de outros exportadores, particularmente Argentina, segundo o USDA. As perspectivas de longo prazo para o comércio agrícola global e dos Estados Unidos permanecem favoráveis.
O comércio de grãos deve liderar o crescimento mais forte projetado de 2000 a 2008. O comércio de trigo, grãos forrageiros e óleos vegetais também deve se expandir em resposta ao aumento na renda nos países em desenvolvimento. O comércio de soja e farelo deve se beneficiar da expansão dos setores de alimentação animal e gado em países desenvolvidos. A demanda por algodão e a comercialização depois do ano 2000 devem ser mais fortes que nos anos 90, mas menor que nos anos 80. O USDA projeta um pequeno crescimento nas exportações de arroz, mas as exportações de algodão devem se fortalecer durante a maior parte do período avaliado.
Depois de uma redução no comércio global de carnes e nas exportações americanas, o setor deve se recuperar após o ano 2000, com a recuperação da demanda em importantes regiões. Mais detalhes sobre as projeções do USDA podem ser encontradas no website do USDA, cujo endereço é: www.usda.gov.

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