Nova York, 27 (AE) - Sábios na arte de promover espetáculos, os norte-americanos já definiram o US Open de 99 como o "Torneio do Século". O primeiro evento esportivo a merecer realmente este título foi a luta de boxe entre Muhammad Ali e Joe Frazier, em 1971, no Madison Square Garden, também em Nova York. Depois vieram uma série de enganações, com a definição "do Século" perdendo sua força. Agora, há bons motivos para acreditar que o Aberto dos Estados Unidos deste ano seja mesmo o mais importante dos mais de 100 anos de história da competição.
A briga nas quadras vem fortalecida pela disputa da liderança do ranking mundial. O campeonato poderá apontar um novo número 1 do mundo, com a rivalidade dos jogadores, especialmente as estrelas como Pete Sampras, Andre Agassi, Patrick Rafter e Yevgeny Kafelnikov, acirrada como nunca. Nesta corrida, até mesmo o brasileiro Gustavo Kuerten tem chances de terminar o torneio como líder. Precisa do título e uma série de resultados. Suas chances são remotas, mas existem.
Entre as mulheres, o clima de rivalidade também promete esquentar ainda mais o já causticante verão novaiorquino. A norte-americana Lindsay Davenport, recém campeã em Wimbledon, está na defesa do título.
Mas para atrapalhar seu planos, a suíça Martina Hingis retomou a liderança do ranking da WTA (Associação Feminina de Tênis) e já avisou que está de volta às grandes disputas, depois de realizar campanhas brilhantes nas últimas competições.
O tênis feminino nos Estados Unidos também tem o chamado "fator Williams". As irmãs Venus e Serena jogando em casa podem e devem chegar longe na competição. O torneio deste ano também será um bom teste para Alexandra Stevenson que fez sucesso em Wimbledon, ao alcançar as quartas-de-final e ganhou as manchetes dos tablóides ingleses com a notícia de que é filha do ex astro na NBA Julius Erwing, o genial "Doctor J".
Prêmio recorde - Para justificar a fama de "Torneio do Século", a USTA (Associação Norte-Americana de Tênis) abriu o cofre e vai pagar um prêmio recorde de US$ 14.5 milhões. Nenhum outro evento esportivo do planeta, de qualquer modalidade, paga tanto para uma só competição (excetuando-se, é claro, os circuitos). Só o qualifying do US Open distribuiu mais de US$ 1 milhão aos tenistas. É mais do que paga muitos dos principais torneios do circuito internacional.
Dinheiro para a USTA não é problema. O US Open no ano passado registrou em suas bilheterias a passagem de mais de 500 mil pessoas nas duas semanas de jogos. Isto significa cerca de 40 mil torcedores diariamente nas quadras e alamedas do National Tennis Center de Corona Park, consumindo tênis e tudo que se relaciona ao esporte. Gastam nas boutiques de produtos esportivos, comem compulsoriamente e deixam lucros imensos aos organizadores. Sem contar ainda com o a fila de patrocinadores dispostos a pagar alto para estar no evento.
Com uma fortuna que cresce a cada competição para administrar, o organizadores do US Open há dois anos inauguraram o maior palco do tênis: o estádio Arthur Ashe com capacidade para 23 mil pessoas, que tem diariamente duas bilheterias, uma à tarde e outra à noite. Agora, nesta segunda feira, reinauguram o Louis Amstrong, quadra que foi a principal de 1978 a 1996 e hoje foi readaptada para dez mil pessoas.Por Chiquinho Leite Moreira ----------------------------------------------- ATTT: MATÉRIA PARA DOMINGO -----------------------------------------------

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