US$ 92 bilhões de investimentos para a América Latina
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por João Caminoto 
Londres, 29 - (AE) - O Institute for International Finance (IIF), que representa bancos internacionais, anunciou hoje (29) que o fluxo de investimentos líquidos para América Latina deve atingir neste ano US$ 92 bilhões, um aumento de 42% em relação ao ano passado e a quantia mais alta desde 1997, quando foram captados US$ 106,1 bilhões.
Esse aumento poderá ser ainda maior diante da efervescência no mercado primário de emissão de títulos, pois vários governos da região já emitiram mais de US$ 10 bilhões apenas neste ano, informa hoje o jornal britânico Financial Times. "Os investidores em ações e títulos estão recuperando seu apetite pelos bens da América Latina", diz o FT.
A exemplo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que anunciou suas previsões nesta semana, o IIF prevê que a América Latina está em processo de recuperação dos últimos dois anos de crise econômica. A entidade prevê que a desaceleração econômica em 1998 e 1999 causará dois impactos que beneficiarão os países latino-americanos no futuro. Em primeiro lugar, "a crise reforçou a determinação de adotar políticas de ajuste para enfrentar as condições externas adversas".
O IIF diz também que houve uma mudança para medidas mais pragmáticas e flexíveis que eliminam a rigidez de políticas prévias. Brasil, Chile e Colômbia, por exemplo, abandonaram os sistemas de câmbio semi-fixados.
O investimento direto feito pelas empresas estrangeiras continuam sendo o principal fator de captação da América Latina - cerca de US$ 48,9 bilhões, ou seja, mais da metade de todos os investimentos. A soma, no entanto é menor do que os US$ 66,7 bilhões registrados no ano passado, que refletiram o impacto de várias transações de grande porte. No geral, o fluxo proveniente de "não bancos" - principalmente investidores do mercado de títulos - deve crescer para US$ 29,7 bilhões, comparados com US$ 14 bilhões em 1999.
Os bancos comerciais também estão intensificando seus negócios na região. Os empréstimos líquidos deve totalizar US$ 5 1 bilhões de dólares neste ano. Os portfólios de investimentos em ações deve crescer bastante, atingindo US$ 8,3 bilhões - somaram US$ 5,5 bilhões no ano passado.
Segundo o IIF, a recuperação econômica na América Latina ainda é embrionária em algumas áreas. A média dos spreads dos títulos latino-americanos sobre os do Tesouro norte-americano caiu de 9,45 pontos percentuais em julho de 1999 para 6 pontos em dezembro passado. "Os spreads ainda estão relativamente altos e nos meses recentes sua tendência de queda foi rompida", diz o IIF, No início deste mês os spreads ficaram 5.9 pontos percentuais.
O IIF afirma que, no geral, os fluxos de capitais cobrirão confortavelmente o déficit da conta corrente de US$ 63 bilhões - cerca de 3,6% do PIB da região.


