O banco alemão KFW e as Secretarias de Meio Ambiente do Espírito Santo e da Bahia investirão US$ 13 milhões na criação de um corredor ecológico para preservação e recuperação da mata atlântica entre os dois Estados. O projeto faz parte do PPG-7, programa dos sete países mais ricos do mundo para a proteção das florestas tropicais do Brasil.
O acordo com o Ministério do Meio Ambiente, que coordenará as ações, será assinado na segunda quinzena de novembro. ‘‘Depois da assinatura, o Banco Mundial analisará um documento detalhado sobre o projeto. Após a aprovação, 10% dos recursos serão liberados nos primeiros meses de 2001’’, disse o secretário nacional de biodiversidade em floresta, José Pedro Costa.
O corredor terá 650 km de extensão, indo do sul da baía de Todos-os-Santos (BA) até a divisa do Espírito Santo com o Rio de Janeiro. Cada secretaria investirá 15% do valor total. ‘‘Essa região tem como característica a alta fragmentação das florestas. A proposta é unir essas áreas’’, disse o assessor de comunicação da Seama (Secretaria de Meio Ambiente do Espírito Santo), Marcelo Mores.
O projeto terá uma gestão participativa, por meio dos Comitês Estaduais da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, formados por órgãos do governo, Organizações não-governamentais )ONGs), empresários e membros da comunidade científica.
O engenheiro agrônomo João Motta Neto, coordenador da ONG Apta (Associação de Programas em Tecnologias Alternativas), que faz parte do comitê do Espírito Santo, disse que o objetivo é melhorar os planos de gestão das unidades de conservação, como parques e reservas florestais, e recuperar a mata atlântica nas pequenas propriedades localizadas entre as áreas protegidas.
Outra proposta é a implantação de sistemas agroflorestais, que consistem no plantio de árvores entre as lavouras. Nesse caso, segundo Motta, os agricultores plantariam espécies nativas da mata atlântica, como palmito ou açaí, entre os pés de café.
‘‘Além de melhorar a renda, essa prática recupera o solo, aumentado o teor de matéria orgânica, e diminui sua temperatura’’, explicou ele. Segundo o engenheiro agrônomo, os agricultores são receptivos ao projeto.
O assessor de comunicação da Seama explicou que o projeto será dividido em duas fases. A primeira, que começará em janeiro, será de planejamento. ‘‘Serão identificadas áreas prioritárias, definidos índices de biodiversidade, áreas de conservação a serem implantadas e elaboração dos planos de manejo das já existentes. Também investiremos em fiscalização e implantação de patrulhamento aéreo, equipado com GPS (sistema de localização por satélite).’’ Na segunda fase, ainda de acordo com Mores, serão executados os planos de gestão e de manejo.
Na Bahia, segundo o coordenador da rede de ONGs da Mata Atlântica e do Grupo Ambiental da Bahia, Renato Cunha, que faz parte do comitê estadual, as atividades mais comuns nas unidades de conservação são o cacau, o plantio de eucaliptos e a pecuária.

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