Montevidéu, 11 (AE-IPS) - Enquanto espera soluções para a crise depois da reunião entre Fernando Henrique Cardoso e seu colega argentino Carlos Menem, amanhã, em Campos do Jordão (SP), o Uruguai já tomou algumas medidas para compensar a perda de competitividade. A dependência do mercado brasileiro é grande no mercado industrial uruguaio: 38% do total de suas exportações se destinam ao Brasil.
Desde a formalização do Mercosul, em 95, vários especialistas uruguaios têm alertado para a excessiva dependência do país junto aos gigantes do bloco: Brasil e Argentina. Desde que estalou a crise brasileira, o BC uruguaio decidiu compensar as perdas de competitividade melhorando algumas condições do regime de pré-financiamento de exportações. O mecanismo consiste em um crédito outorgado por um banco a um exportador para que este pague seus insumos antes da venda ao exterior.
O governo do presidente Julio María Sanguinetti estendeu o prazo de financiamento para exportação por 360 dias. Esta é uma das medidas visando ajudar os exportadores. O ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca, Sergio Chiesa, disse que os setores que enfrentam maiores problemas são os lácteos e arroz. A crise brasileira só ajudou esses produtos a irem mais rápido para o abismo já que desde o ano passado experimentavam uma queda nos preços de sua produção colocada no Brasil. O setor lácteo, em especial a Cooperativa Nacional de Produtores de Leite, reduziu temporariamente o seu pessoal.
O governo uruguaio espera que, no final da reunião entre FHC e Menem, o Brasil anuncie a flexibilização do regime de financiamento às importações ou o fim dos subsídios às exportações brasileiras. Informações da agência IPS.
A presidência cortará o uso de telefones celulares, compra de jornais e revistas, controle no uso de combustível e luz, como forma de contribuir para a redução do gasto público. "Vamos diminuir os gastos em 8% e também dar o exemplo", explicou Elías Bluth, secretário da presidência. O governo iniciou esta semana um plano de contenção de gastos aprovado em 26 de janeiro, mediante o qual pretende economizar US$ 100 milhões no ano através da decisão de que cada órgão da administração gaste 8% menos que no ano passado.
O plano do governo contempla ainda diminuição nos investimentos previstos pelas empresas públicas, como a de distribuição de água potável, telecomunicações e energia elétrica. Segundo economistas, o impacto da crise brasileira no Uruguai provocará uma queda do PIB, aumento no desemprego - atualmente em 10,5% - e redução nas exportacões.
O governo decidiu rebaixar as tarifas portuárias às exportações para amortizar a perda de competitividade dos produtos uruguaios frente à produção brasileira em função da desvalorização do real. Com a diminuição tarifária, se pretende que os exportadores ganhem alguns pontos para competir no mercado brasileiro, principal destino dos produtos uruguaios no exterior, e também para fazer possível a colocação de produtos em novos mercados e a ampliação dos já existentes. As tarifas para produtos lácteos, mel e queijo baixará de US$ 9 para US$ 4, os fertilizantes pagarão 20% menos para volumes de exportação que superem 5 mil toneladas anuais e as pedras semi-preciosas terão bonificação de 50% em suas vendas para o Oriente.
Além disso, a Administração Nacional de Portos (ANP) renovou um convênio com o sindicato dos Moinhos Arrozeiros para que o produto possa ser colocado nos mercados extra-regionais por via marítima com uma tarifa bonificada de 25%. O presidente da ANP, Edison González, informou que a atividade do Porto de Montevidéu cresceu 25% em 98 com relação ao ano anterior, uma porcentagem recorde na história do terminal portuário. Segundo González, o aumento das operações portuárias é importante para o desenvolvimento do país. Ele defendeu que o Porto de Montevidéu seja transformado em principal terminal do Mercosul.

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