Montevidéu, 04 (AE-AP) - As relações entre Uruguai e Paraguai estão novamente tensas devido à decisão de Montevidéu de manter o asilo político concedido ao ex-ministro de Defesa paraguaio José Segovia Boltes, acusado em seu país por malversação de mais de US$ 500.000, informou a imprensa neste sábado (04).
O Paraguai retirou sua embaixadora Julia Velilla por "tempo indefinido para consultas". Fontes diplomáticas estimam que o Uruguai fará o mesmo e convocará seu embaixador no país, Rodolfo Olavarría.
Assunção também acusa o Uruguai de "promover a impunidade de delinquentes" por dar refúgio a Segovia Boltes. O governo uruguaio, preocupado com o tom das críticas, resolveu apresentar um protesto ao Paraguai, pelo qual segunda-feira será convocada pela chancelaria a encarregada de negócios María Carmen Gutiérrez.
Por motivos similares, estão tensas as relações entre o Paraguai e outros dois de seus vizinhos. A Argentina deu asilo ao ex-general golpista Lino César Oviedo e negou-se a conceder sua extradição. Por sua vez, o Brasil concedeu asilo ao ex-ditador Alfredo Stroessner.
Neste país, também está radicado o ex-presidente Raúl Cubas, que renunciou na crise entre março e abril, após o assassinato de seu vice-presidente Luis María Argaña. Não se sabe se o Paraguai pediu a extradição de Cubas, como fez com Oviedo e Segovia Boltes.
O presidente uruguaio Julio Sanguinetti declarou ontem à noite que seu país, assim como "qualquer outro, maneja o asilo político em exercício de sua soberania e se apega estritamente ao que dispõem os tratados e normas internacionais".
Sanguinetti acrescentou que tanto Argentina quanto Brasil e Uruguai, os três sócios do Paraguai no Mercado Comum do Sul (Mercosul) "concordamos em aplicar normas de asilo internacional".

mockup