Curitiba - A Urbs rejeitou ontem a proposta feita pela Coordenação da Região Metropolitana (Comec), órgão ligado ao Governo do Estado, para renovar o convênio da Rede Integrada de Transporte (RIT) de Curitiba, que terminou em 31 de dezembro de 2014. Na última sexta-feira, a Comec decidiu reduzir de R$ 7,5 milhões para R$ 2,3 milhões mensais o subsídio repassado ao sistema, utilizando como justificativa uma pesquisa de origem e destino que apontava peso menor para os passageiros da RMC. Hoje, a tarifa integrada custa R$ 2,85, mas o custo repassado às empresas (tarifa técnica) é de R$ 3,18 por usuário.
Segundo o presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Junior, o valor sugerido está "muito abaixo" do que a realidade operacional exige. "No dia 1º de fevereiro, haverá reajuste da tarifa técnica e, em especial, da massa salarial dos trabalhadores. Os encargos têm um peso muito importante, de quase 48%, na composição", afirmou. Por conta do dissídio coletivo, o novo contrato teria validade até 28 do próximo mês, quando se espera um reajuste no preço da passagem.
Gregório também levantou problemas de ordem jurídica e administrativa. "A assinatura é de 1º de janeiro, o que significa assinar um convênio com data retroativa. E não foi especificada a dotação orçamentária, uma exigência legal", explicou. Entretanto, ele garantiu que pretende manter a operação integrada, ainda que com separação financeira. Assim, caberia à Comec, como contratante, remunerar as empresas metropolitanas.
O diretor de transportes da Comec, André Fialho, disse que até a noite de ontem não havia recebido retorno da Urbs, motivo pelo qual não poderia comentar a contraproposta. "Não é interesse de ninguém partir para a radicalização, com a desintegração. A gente já explicou que não teve chance de mandar a proposta antes, devido à troca de secretários", justificou. Fialho argumentou que, desde 2012, o Estado vinha bancando o subsídio conforme as especificações da prefeitura, mas que, após o estudo, decidiu propor um rateio "mais justo".
Atualmente, a região de Curitiba é a única a receber subsídio no transporte. Para as demais, o governo estadual oferece somente a isenção do ICMS sobre o óleo diesel. Neste caso, a regra é válida para os municípios com população superior a 140 mil habitantes. De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), 24 cidades, distribuídas pelas regiões de Maringá, Londrina e Guarapuava, além da Capital, são beneficiadas, o que significa um custo médio mensal de R$ 3,3 milhões.

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