Urbanização preserva matas e nascentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 1999
Marcos Zanatta 
O projeto de colonização da região de Maringá, feito pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), previa a abertura de núcleos urbanos a cada 100 quilômetros e pequenas localidades a cada 20 quilômetros. A empresa repartia as áreas rurais em pequenos lotes, com a cabeceira na estrada e os fundos na beira do rio. As cidades eram planejadas para receber o comércio e um número limitado de habitantes, mas não foi isso que ocorreu. Os agricultores, principalmente trabalhadores nas lavouras de café no interior de São Paulo, chegavam para conhecer a região e ficavam.
Aos poucos os núcleos urbanos foram se transformando, e a Companhia acabou adotando um planejamento para as cidades. O melhor projeto, considerado até hoje por urbanistas, foi o de Maringá. A área urbana foi projetada a partir de dois pulmões de mata nativa, desenhada pelo urbanista Jorge Vieira Macedo a partir da nascente de dois córregos. As duas áreas são hoje os parques do Ingá e o Bosque 2, que juntas somam pouco mais de 100 hectares de mata nativa dentro do centro de Maringá.
A Companhia reservou também uma área na periferia, com quase 40 hectares, de onde saiu a maior parte das mudas utilizadas na arborização da cidade. O projeto de Macedo, que não chegou a conhecer Maringá, priorizou as largas avenidas, com muitas praças e áreas verdes. O crescimento não tirou as características do projeto inicial. Hoje Maringá tem quase 300 mil habitantes, o crescimento horizontal é intenso, mas todas as áreas urbanizadas obrigatoriamente têm que reservar espaço para as árvores, seja nas calçadas ou em praças. Se possível em reservas de mata nativa.
São 11 reservas e mais de 170 hectares de área preservada, além de quase 100 mil árvores em ruas, avenidas e uma centena de praças. A Secretaria de Meio Ambiente adotou uma postura agressiva para garantir a preservação das áreas verdes de Maringá. O morador que cortar ou prejudicar o desenvolvimento de uma árvore, em local público, é multado. Quem jogar lixo ou entulho em áreas abertas, ou despejar esgoto nas galerias pluviais, que chegam nas nascentes dentro das reservas, também pode receber multas pesadas. Um projeto está incentivando, com descontos nos impostos municipais, a recuperação de matas nativas em fundos de vale.
Os dois parques mais importantes, o Ingá e o Bosque 2, têm um plano de manejo que está garantindo o combate à erosão e a recuperação da mata nativa. O único aberto a visitação pública é o Parque do Ingá que, além de mata, possui um minizoológico, lago, jardim japonês, gruta e trilhas que recebem cerca de um milhão de visitantes por ano. Gente que vem de toda região e também do interior de São Paulo.
O maringaense ama o verde. Aos sábados e domingos moradores lotam as praças mais abertas. A prefeitura teve que proibir as pipas na praça do aeroporto, devido à quantidade de pessoas que praticam essa atividade e o risco que representa para os vôos.
Na praça da catedral, de longe a mais bonita de todas, uma tentativa de proibir a prática de esportes no local não deu certo. Aos sábados à tarde a grande área verde, com arborização bem distribuída, é das noivas. Mesmo as que se casam em igrejas evangélicas e em bairros mais afastados vão tirar fotos na praça da catedral. Nas tardes de domingo, o gramado é tomado por jovens e crianças que instalam traves e redes para jogar vôlei e futebol.


