Urbanização influencia números
Curitiba - Segundo Luiz Antonio Negrão Dias, diretor do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) e presidente do Conselho de Administração do Hospital Erasto Gaertner, referência no tratamento de câncer, alguns fatores contribuíram para o aumento dos casos nos últimos anos, como a mudança de hábitos alimentares e os fatores comportamentais devido à urbanização.
De acordo com ele, as pessoas deixaram de lado uma alimentação saudável e passaram a consumir mais fast-food, por exemplo. "É uma dieta rica em sódio e gorduras de origem animal, além da presença de hormônios, aromatizantes, corantes e conservantes. Tudo isso aumenta o risco da incidência de determinados tipos de câncer. Na zona rural ou no interior, nas cidades menores, ainda se comem os tradicionais arroz com feijão, carne e salada, algo que é extremamente saudável", ressaltou.
Dias destacou ainda que a população das grandes cidades tem maior contato com agentes poluentes, que podem provocar vários tipos de tumores, em especial de pulmão e fígado. Ele ressaltou que a média de casos de câncer na zona rural gira em torno de 80 por 100 mil habitantes. Quando se trata da zona urbana, segundo o médico, este número salta para 450. "Isso sem contar o estresse, a solidão e a consequente depressão que pode reduzir a imunidade e facilitar o aparecimento da doença", disse. Segundo o oncologista, a combinação de falta de exercícios físicos regulares, excesso de peso, tabagismo (mesmo que esporádico) e ingestão exagerada de bebidas alcoólicas é uma bomba para o organismo.
Ele apontou que a falta de informação ou mesmo a resistência dos homens a realizarem mais exames e se preocuparem com a saúde também acaba influenciando nas taxas de mortalidade da doença, em especial relacionada à próstata. "Tem campanha e orientação diária nos meios de comunicação, mas ainda existe uma resistência por parte dos homens. Existem estudos que apontam que, para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer, 60 conseguem detectar o tumor em estágio inicial e fazem o tratamento. Quando falamos em homens, este número cai para 45. Ou seja, quase 20% a menos de cura porque não fazem os exames. Isso tem que mudar", reforçou o médico.
Além da alimentação irregular e cada vez mais rápida, Dias ressaltou que o uso desenfreado de suplementos alimentares, principalmente para ganhar massa muscular, pode resultar em problemas futuros, inclusive no aparecimento de tumores. "É como se a gente estivesse apagando incêndio e, na realidade, o fogo nem deveria existir. Ou seja, estamos tendo que rever nossos hábitos, nos adaptar para evitar o aparecimento de doenças, mas na realidade esta preocupação com uma melhor qualidade de vida deveria ocorrer desde cedo, nos primeiros anos de idade", finalizou. (R.C.J.)





