Urbanização explica queda na fecundidade
Nos mais diversos países, a explicação para a queda nas taxas de fecundidade relaciona-se aos processos de urbanização e industrialização. No Brasil, de acordo com a pesquisadora Marisa Magalhães, do Ipardes, isso ocorreu a partir da década de 60. Até então, as famílias moravam principalmente no meio rural e conseguiam produzir quase tudo o que precisavam para sobreviver, o que facilitava o sustento dos filhos. Além disso, havia necessidade de muitas mãos para trabalhar na lavoura.
Na década de 30 a taxa de fecundidade era superior a seis filhos por mulher. Esse cenário perdurou até a década de 60, quando o modelo de famílias grandes foi substituído por famílias menores que passam a morar nas cidades em busca de novas oportunidades de trabalho, motivadas pela industrialização urbana e mecanização do campo.
A popularização da pílula anticoncepcional, a partir da década de 60, segundo a pesquisadora, também incentivou o controle da natalidade. Ao mesmo tempo, continua Marisa, a massificação da TV ajudou a consolidar no imaginário das pessoas o modelo de famílias pequenas com estilo de vida urbano.
O que chama a atenção, no Brasil, é a rapidez com que ocorreu a urbanização e queda da taxa de fecundidade. ''Na Europa, levou de 100 a 150 anos'', compara Marisa. O desafio do País é resolver, com rapidez, questões sociais como o amparo ao envelhecimento de pessoas de famílias pobres que chegarão a idades avançadas possivelmente morando sozinhas e sem acesso a alimentação e saúde eficientes. (C.A.)





