Curitiba - Nos últimos 100 anos a temperatura média de Curitiba subiu 0,5%, o que corresponde a um índice expressivo, considerando esse crescimento em escala mundial. O aquecimento regional não deve ser atribuído somente a correntes climáticas, como acontece este ano com a ocorrência do ''El NiÀo'', fenômeno provocado pelo aquecimento das águas do Pacífico na região do Peru.
De acordo com o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nilson Cesar Fraga, a mudança no clima das grandes cidades, como Curitiba, deve ser atribuída mais ao aceleramento do processo de urbanização, onde a concentração de quase 2 milhões de pessoas provoca o aparecimento de microclimas que mudam o comportamento do clima local, explicou. Situação semelhante está ocorrendo em Londrina, onde o crescimento da urbanização com a aglomeração de meio milhão de pessoas associada ao desmatamento no Norte vem provocando comportamentos atípicos do clima como excesso de chuvas com enxurradas e alagamentos, disse o professor.
Temas como esses são objetos de discussão por cerca de 200 cientistas, professores e alunos que estão reunidos no V Simpósio Brasileiro de Climatologia Geográfica, que está sendo realizado em Curitiba. O simpósio começou ontem e encerra amanhã, dia 6. Será discutida a realização de um inventário do clima do Paraná nos últimos 100 anos. O trabalho vai ser financiado pela Fundação Araucária e deve ser entregue em quatro anos.
Durante o simpósio serão apresentados mais de 20 trabalhos que mostram como o estado do Paraná está sendo influenciado pelo aquecimento global do planeta. Mas muitas das ocorrências climáticas como inundações, enxurradas, granizo atribuídas à corrente ''El NiÀo'', também devem ser atribuídas ao processo acelerado de urbanização, sustenta Fraga.
Fraga explicou que a última manifestação mais forte do ''El NiÀo'' no Sul do País aconteceu em 1983, quando a cidade de União da Vitória, no Paraná, ficou 32 dias submersa na água e a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, ficou 24 dias submersa. Segundo ele, várias prefeituras de Santa Catarina já estão alertando a população que este ano haverá enchentes por causa do ''El NiÀo''. Mas para ele, as enchentes podem ser frutos do processo de urbanização.

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