UPE protesta contra Provão em Curitiba
UPE protesta contra Provão em Curitiba
Apesar das manifestações da entidade estudantil, o teste de ontem foi realizado com tranquilidade no Paraná
Mauro FrassonPressãoCom nariz de palhaço de plástico, faixas e cartazes, a UPE fez manifestações nos locais de provaLuciana Pombo
A União Paranaense dos Estudantes (UPE) promoveu ontem no Colégio Estadual Pedro Macedo, no bairro do Portão, em Curitiba, manifestação contra o Exame Nacional de Cursos, o Provão, do Ministério da Educação e Cultura.
Com faixas, cartazes, bonés, apitos e narizes de palhaço, os estudantes pediram para que os graduandos entregassem a prova em branco para protestar contra a forma como o Provão é realizado em todo o País. Achamos que o Provão não avalia os cursos de forma adequada, afirmou o presidente da UPE, Fernando Delicato. Em outras cidades também houve protestos (ver matéria ao lado)
Diversos graduandos disseram ter estudado para o Provão. É o caso de Mário César Franco, que está se formando em comércio exterior. O Provão é fundamental para a melhoria da qualidade educacional do País, disse. Marcus Vinícius disse que os estudantes deveriam dar maior atenção ao exame. Sabemos que estamos aqui para que a educação brasileira melhore, argumentou.
A estudante de jornalismo Clarice Kowalski disse que concorda com a avaliação das universidades, mas acha que o Provão não é adequado. O Provão é fraco e as faculdades também, afirmou. Luiz Cesar Rotta, estudante de administração, disse que o Provão é válido e que poderá ser útil para a mudança da estrutura das faculdades brasileiras. Todos devem expressar sua opinião, mas acho que o caminho para a melhoria educacional é mesmo o Provão, declarou.
Em menos de 15 minutos de prova, os primeiros estudantes já foram deixando os locais de prova. Isto é um absurdo, disse Delicato, o próprio MEC havia definido que os estudantes só poderiam deixar as salas após 90 minutos de prova. A UPE fará um levantamento de quantas pessoas foram liberadas antes do tempo regulamentar e quantas pessoas deixaram de fazer o Provão por chegarem atrasadas. As lideranças estudantis pretendem entrar com ações populares na Justiça. A intenção é liberar os diplomas para todos os graduandos, inclusive para os que não fizeram as provas por chegarem atrasados ou por participarem do boicote estadual.
Segundo a UPE, foram entregues cerca de 15 mil panfletos nas portas das escolas paranaenses ontem.
Em Foz do Iguaçu, cerca de 100 formandos dos cursos de administração, economia, direito e letras de duas instituições - Universidade Estadual do Oeste do Paraná (pública) e Unifoz (privada) - fizeram o Provão. Os exames foram realizados em duas escolas e não foram registrados incidentes.
Segundo Paulo Bogler, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unioeste, muitos formandos entregaram a prova em branco, com forma de protesto contra o sistema de avaliação. Uma prova única não aponta as falhas de um curso inteiro e acaba prejudicando os estudantes, disse Bogler. Cursos com mau desempenho terão cada vez menos recursos governamentais, completou.
Em Maringá todos os 700 alunos inscritos participaram do Provão. Não foram registrados protestos. O teste foi aplicado em duas escolas. Segundo o coordenador Eduardo Melgas, da Fundação Carlos Chagas, as provas começaram com 15 minutos de atraso devido à intensa chuva que caiu em Maringá por volta das 12 horas.
Alunos de nove cursos da UEM participaram do exame: administração, economia, engenharia civil, engenharia química, matemática, letras, direito, medicina e odontologia. (Colaboraram Walmir Denardin e Márccio W. Varella)





