Londrina - Cerca de 60 funcionários - entre administrativos e cargos de chefia - da Universidade Norte do Paraná (Unopar) foram demitidos no início da noite de terça-feira. Levantamento solicitado ao setor de Recursos Humanos (RH), a pedido do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares (Sinpro), mostra que seis professores estão entre os dispensados, entre eles os diretores dos centros de Ciências e Saúde (CCS), de Ciências Humanas (CCH) e Ensino a Distância (EAD). A demissão teria ocorrido nos três campi: Londrina, Arapongas e Bandeirantes.
Em nota, a Unopar, que agora pertence ao grupo Kroton Educacional S.A., limitou-se a informar que ''no últimos 100 dias, implantou um projeto para avaliar as atividades desenvolvidas pela instituição e definir as adequações necessárias à nova realidade do mercado e sinergia da operação. Com base nessas informações foi necessária a redução de menos de 2% do quadro de colaboradores. A Unopar reitera que com esses ajustes manterá o compromisso com a excelência do ensino, uma das premissas da organização.''
A instituição foi adquirida em sua totalidade pelo grupo Kroton, em dezembro de 2011, por R$ 1,3 bilhão, maior valor já pago por uma empresa londrinense. O preço teria sido baseado no número de alunos, principalmente do EAD, que seria em torno de 300 mil em todo o País. Desde então, rumores de demissões já corriam nos corredores da universidade em função do histórico do grupo que, em dezembro de 2008, menos de um ano após a aquisição de outra faculdade de Londrina, demitiu 38 professores de uma só vez. Na oportunidade, o grupo voltou atrás da decisão após indicativo de greve.
De acordo com o vice-presidente do Sinpro, André Cunha, logo que o grupo comprou a instituição, o sindicato solicitou uma reunião, em janeiro deste ano. ''Conversamos com os novos controladores e auditores, que nos garantiram que não aconteceria a mesma situação da Pitágoras'', disse, completando que a tese para as demissões é de que o grupo tem um sistema unificado e a tendência é que concentrem o maior número de operações em São Paulo. ''Mas se o número de demissões de professores foi maior do que o informado, vamos considerar demissão em massa'', afirmou.
A preocupação, segundo Cunha, continua com relação ao futuro do ensino presencial da Unopar. ''Sabemos que o grupo comprou a instituição por conta do EAD e pode, a qualquer momento, sediá-lo onde quiser. Com isso, os campi daqui podem ficar relegados ou até mesmo serem extintos, já que teriam pouca representatividade no universo da instituição'', explicou. Ele comenta que são poucos professores no EAD, mas cerca de 500 tutores fazem o trabalho de acompanhamento e controle eletrônico dos alunos. ''Estimamos ainda que a Unopar tenha, hoje, cerca de 3 mil funcionários, dentre os quais 2 mil professores somente no presencial.''

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