Universitários contraem bactéria em laboratório
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agência Estado 
PORTO ALEGRE - Os 500 estudantes da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal de Pelotas estão sob tensão. Quinze alunos do curso foram contaminados pela bactéria causadora da leptospirose, uma zoonose (doença que ataca tanto homens como animais) que pode matar. Três universitárias desenvolveram a doença e tiveram que ser hospitalizadas. Duas já tiveram alta e a terceira Kelly Dourado, 23 anos, apresenta boa recuperação.
A leptospirose é objeto de estudos na Faculdade de Veterinária. O curso conta, inclusive, com um conceituado Centro de Controle de Zoonoses, que é referência para toda a região sul do Estado. O Centro Acadêmico da faculdade denunciou que é grande o risco de contaminação no curso, por causa da falta de estrutura no manejo com animais usados nas aulas práticas.
O diretor da faculdade, Alexandre da Rocha Gonçalves, confirmou ontem que o forno crematório estragou e que os animais estão sendo enterrados numa vala comum, mas num local bem distante do campus, garantiu. Já estamos providenciando a compra de outro forno, informou.
Porém, o diretor não descarta a possibilidade dos alunos terem sido contaminados no Hospital Veterinário, onde trabalham com animais recolhidos das ruas da cidade ou no interior do município, muitos deles doentes. Mas a forma mais comum de contágio é pela urina de ratos na água. A bactéria, leptospira, tem grande capacidade de invasão no organismo humano pela pele ou mucosas, explicou o diretor.
Já foram realizados exames em 150 alunos do sétimo e oitavo níveis - onde foram detectados estes casos - e nos próximos dias todos os 500 alunos do curso serão examinados. O pânico que tomou conta dos estudantes decorre da morte de uma pessoa em Pelotas, este ano, que confundiu sintomas da leptospirose com uma gripe e não se tratou corretamente. Os primeiros sintomas da doença surgem cerca de 20 dias após o contágio: dores musculares, dor de cabeça, febre, dor na nuca, dor na panturrilha.
Sendo tratada em seu início, a cura ocorre em 100% dos casos. Não havendo tratamento, a doença evolui para infecção renal e hepática aguda, com ocorrência de morte em 20% dos casos, explicou Gonçalves. Os alunos contaminados estão recebendo tratamento médico, enquanto o Centro de Zoonoses investiga como foram contagiados.


