Curitiba - ''Se não baixar o aumento, vai ter acampamento!''. Com o grito de palavras de ordem, dezenas de alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) organizaram uma manifestação na manhã de ontem, em Curitiba, contra o reajuste de 8,75% nas mensalidades para o próximo ano. Os estudantes prometem continuar a protestar nos próximos dias uma vez que a reitoria da Universidade declarou ser impossível rever o índice de reajuste. Até o fechamento dessa edição os alunos ainda não haviam decidido se iriam acampar no campus.
Representados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição, os estudantes também cobram melhorias no campus, no acervo da biblioteca e na qualidade do corpo docente. A manifestação começou por volta da 8 horas e se estendeu com atos públicos durante todo o dia. Pela manhã, a Reitoria da PUC-PR recebeu uma comissão de alunos. Um segundo encontro aconteceu as 16 horas. O professor Robert Carlisle Burnett, pró-reitor de Graduação, Pesquisa e Pós-graduação da universidade, explica que o reajuste para 2009 é o menor índice possível, calculado por meio de uma planilha de despesas e que cobre o mínimo delas. ''É pouco provável que aconteça um reversão do índice'', adiantou.
Uma das justificativas do pró-reitor para o aumento está no fato de que os salários do corpo docente terá reajuste em fevereiro de 2009. De acordo com Burnett, o pagamento de professores representa cerca de 75% das despesas da PUC-PR. A qualidade do ensino também é alvo dos questionamentos dos alunos. ''Todo o ano tem aumento, mas não vemos para onde vai o dinheiro. Não vemos melhorias'', questionou Gustavo Saulle Pagnoncelli, presidente do DCE da PUC e acadêmico do curso de Relações Públicas.
De acordo com Pagnoncelli, há uma necessidade de investimentos em professores mais qualificados, assim como melhoria das salas de aula e dos laboratórios de estudo, atualização do acervo da biblioteca e mais segurança. Ele considera a porcentagem do aumento abusiva. Caso as reivindicações não sejam atendidas, os manifestantes prometem acampar em frente ao prédio da administração da PUC a partir de hoje.
Burnett disse que um fórum entre reitoria e representantes dos alunos vai discutir de que forma e em quais prazos os pedidos de melhorias serão atendidos. ''Precisamos resolver os problemas'', disse.
Tanto Burnett quanto o pró-reitor de Administração, Planejamento e Desenvolvimento da PUC-PR, Valdecir Cavalheiro, concordam com a legitimidade do protesto dos alunos. ''A manifestação é saudável e democrática. Queremos que ela fique sobre controle e com reivindicações justas'', comentou Cavalheiro.

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