Universitários conseguem na Justiça retorno às aulas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
As aulas para os alunos do 5º ano de odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) foram retomadas ontem após liminar da 1ª Vara de Fazenda Pública, que determinou o retorno das atividades. Mais de 50 universitários do último ano do curso entraram na Justiça, alegando que a greve dos docentes prejudicava os alunos e atividades programadas para o final da graduação. A turma de odontologia é a terceira que obteve liminar da Justiça que garante o retorno das aulas durante a paralisação para alunos veteranos. Nos últimos dias 10 e 15, os estudantes de medicina e direito também retornaram às aulas na UEPG.
A advogada Karina Osternack Glapinski, que representa os universitários dos últimos anos de odontologia e medicina, afirmou que a suspensão do calendário de graduação prejudica a formatura e até a futura carreira profissional dos estudantes. "A turma de odontologia tem contrato para a formatura no dia 18 de dezembro com multa rescisória prevista por adiamento. Já no curso de medicina, existem casos de alunos que já passaram em concurso público", informou. A formatura de medicina é prevista para o mês de julho e o mandado de Justiça garante a continuidade do curso para cumprimento de 2% da grade curricular restante.
Na liminar favorável aos alunos de odontologia, a juíza Poliana Maria Cremasco Fagundes Cunha lembrou das limitações do direito à greve quando as atividades são consideradas essenciais. "Ora, em que pese a discussão apresentada à mídia quanto à situação da Universidade Estadual de Ponta Grossa, entendo que o direito à educação, apesar de não constar no rol do artigo 10 da Lei nº. 7.783/89, constitui sim serviço público essencial", afirmou.
Além disso, a juíza apontou que a educação "é tida como garantia fundamental" na Constituição Federal e defende que não considerá-la como serviço essencial "é colocar em risco a qualidade do serviço e admitir prejuízos irreparáveis ao interesse da sociedade."
A assessoria de comunicação lembrou que a UEPG entrou em contato com os professores para cumprimento da liminar para as turmas dos últimos anos de medicina, direito e odontologia. A universidade se manifestou a pedido da Justiça e defende a manutenção da suspensão do calendário, conforme a decisão do Conselho Universitário (COU), e aguarda o julgamento do mérito.
Além disso, a assessoria da UEPG disse que o regime de internato e residências do curso de medicina foram mantidos durante a greve em acordo com o sindicato da categoria antes mesmo da liminar. A universidade ainda informou que os cursos de engenharia civil, farmácia e engenharia de alimentos também entraram na Justiça, no entanto, a UEPG não foi notificada até a tarde de ontem sobre o retorno das atividades.
Em nota, o Comando de Greve dos docentes argumentou que a liminar afronta a decisão do COU e coloca em dúvida a autonomia pedagógica e administrativa da universidade. "Ordenar a abertura do calendário para o último ano dos cursos não constitui, em hipótese alguma, ordem para que cada professor, individualmente, retorne à sala de aula. Ressaltamos que a greve é um direito constitucional do professor, apesar da liminar", rebateu.


