Universitários atrapalham protesto de ruralistas
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terça-feira, 10 de maio de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Ruralistas, madeireiros e mineradores da região dos Campos Gerais, que estiveram, ontem, em Curitiba, para protestar contra a criação de unidades de conservação ambiental foram surpreendidos por uma outra manifestação. Cerca de 300 estudantes de várias universidades da Capital ocuparam a frente do Palácio Iguaçu para defender a preservação das florestas de araucária, impedindo a aproximação do outro grupo, que teve que se instalar antes das escadarias que dão acesso à entrada principal.
O confronto foi, de certa forma, amistoso. De um lado, os ruralistas com carro-de-som justificavam a posição contrária à criação das unidades. Do outro, os acadêmicos, munidos de buzinas e tambores, tentavam abafar as palavras de ordem dos ''rivais''. O objetivo dos dois grupos, apesar das posições adversas, era o mesmo: pressionar o governo do Estado, que recebeu ontem representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para discutir o assunto.
Um dos acadêmicos de biologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) que ajudou a organizar a manifestação, Rafael Nogarolli, disse que o próximo passo será distribuir 60 mil cartões-postais, com imagens das florestas e mensagens de apelo para que o governo federal não desista dos projetos das unidades de conservação.
Elmir José Groff foi um dos cerca de 600 produtores rurais que aderiram ao protesto, em Curitiba. Segundo ele, aproximadamente 70% dos 220 hectares de uma de suas propriedades estão dentro da área proposta pelo Ministério do Meio Ambiente para a criação do Parque Nacional dos Campos Gerais (uma das cinco unidades de conservação propostas para o Paraná). Ele reclama que sua atividade será totalmente inviabilizada. ''O parque pode ser criado em áreas onde existe mata nativa e não em regiões de agricultura'', protestou.
Groff diz, ainda, que as áreas agriculturáveis, que se transformarão em reservas, produzem mais de 300 mil toneladas de alimentos e empregam, diretamente, junto com outros setores produtivos, cerca de 36 mil trabalhadores. ''Eles (governo federal), no mínimo, não estão sendo inteligentes, pois muitas áreas de mata nativa ficaram de fora'', criticou.
Segundo informações do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (Cdesponta), entidade que saiu em defesa dos agricultores, para que as áreas sejam instaladas será preciso desapropriar cerca de 14 mil hectares de terras produtivas, o que geraria um prejuízo em cadeia, no valor de aproximadamente R$ 80 milhões por ano.


