Curitiba - Mais de 90% dos universitários da região Sul assumem já ter experimentado álcool e quase metade deles (47,4%) relatam ter usado alguma droga ilícita durante a vida. Os dados foram divulgados, ontem, no 1º Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários, realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O levantamento ouviu cerca de 18 mil jovens matriculados em instituições públicas e privadas de ensino superior das 27 capitais brasileiras. Os números colocam os jovens do Sul na liderança em relação à experimentação de bebidas alcoólicas e também de produtos do tabaco - 32,2% admitem já ter utilizado.
Com relação ao uso de drogas ilícitas, o índice referente a Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul fica pouco abaixo da média nacional (49%) e apenas atrás do Sudeste (52,6%), na comparação entre as regiões. O levantamento ainda aponta quais as substâncias mais utilizadas pelos universitários. O ílicito mencionado com a maior frequência pelos jovens da região Sul foi a maconha (32%), seguida pelos inalantes e solventes (14,1%), tranquilizantes e ansiolíticos (12,4%) e alucinógenos (10,4%).
Quando questionados sobre o uso das substâncias nos últimos 30 dias, 73,9% dos universitários do Sul assumiram ter utilizado álcool, 25,8% produtos do tabaco e 32,1% usaram drogas ilícitas - índices acima de todas as demais Capitais das regiões pesquisadas.
O fumo é um hábito de 22% dos jovens do ensino superior. Em relação à bebida alcoólica, 86% dos universitários disseram já ter consumido álcool, sendo 80% entre os menores de 18 anos. O estudo aponta ainda que 18% dos jovens já dirigiram sob o efeito de bebida e 27% pegaram carona com um motorista embriagado.
O estudo ressalta que a prevalência do uso de álcool, tabaco e drogas entre os universitários brasileiros é semelhante à verificada entre os jovens dos Estados Unidos. Mas há algumas peculiaridades: entre os estudantes norte-americanos é maior o uso da maconha e, no Brasil, o percentual de universitários que declararam usar inalantes é superior ao daquele país.
A pesquisa abordou outros aspectos da vida social dos jovens. Quase 10% admitiu não ter hábito de utilizar métodos contraceptivos, 3% já forçaram ou foram ''forçados a engajar em intercurso sexual'' e 8% já fizeram ou induziram aborto.
Segundo a secretária nacional de Políticas sobre Drogas, ''o levantamento é o primeiro no País a analisar o comportamento de jovens universitários em relação ao uso de drogas''. Um dos responsáveis pelo estudo, o médico Arthur Guerra, defende que o tema é de preocupação mundial por causa do número de usuários de drogas e o impacto disso sobre a sociedade. ''Em especial, os estudantes universitários compreendem uma importante parcela desse universo, uma vez que apresentam um consumo de drogas mais intenso e frequente do que outras parcelas da população em geral''.(Com Folhapress)

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