Universitários aprendem solidariedade
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domingo, 21 de agosto de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Colocar os interesses dos outros à frente dos seus e ajudar o próximo. Essa é a mensagem que pretende passar a disciplina de Projeto Comunitário, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Só neste semestre, 285 estudantes serão dividos em 26 instituições nos municípios de Londrina, Cambé, Cornélio Procópio, Ibiporã, Jataizinho e outros. Eles estiveram reunidos esse fim de semana no Campus de Londrina para receber da instituição dicas de como trabalhar como voluntários.
A matéria obrigatória faz parte da grade curricular da instituição há nove anos e envolve alunos de todos os cursos. ''O aluno pode se inscrever a partir do terceiro período e ao longo de seu curso precisa cumprir as 36 horas da disciplina'', explica Licia Maria Munhoz Manzano, técnica-administrativa responsável pelo Campus Londrina.
De acordo com ela, as instituições que trabalham com o projeto atendem um público variado, desde portadores do vírus HIV, ou de necessidades especiais, até crianças ou idosos, possibilitando ao estudante escolher a atividade que pretende desenvolver. ''Pode ser que uma parte das 36 horas o aluno escolha trabalhar com as crianças e outra com idosos; e com isso quem ganha é o aluno'', opina.
À frente do projeto desde 2007, Licia revela que muitas casas de apoio acabam procurando a Universidade para se tornar uma das beneficiadas do projeto. Outro ponto curioso é que muitos universitários continuam o trabalho de voluntariado mesmo depois das 36 horas cumpridas.
Aproveitando a chance que a disciplina de Projeto Comunitário proporciona, Thiago Bispo, 27 anos, vai participar pela terceira vez dos trabalhos, desta vez atendendo crianças do ensino fundamental. ''Comecei a conhecer o projeto aqui na PUC e essa, além de ser minha terceira vez participando, é também a terceira instituição diferente que visito'', conta o estudante do último ano de Sistema para Internet.
Para ele a disciplina permite ao aluno que não se prenda apenas à busca por uma vaga no mercado de trabalho ou pelo melhor currículo, mas desenvolva uma vivência que dificilmente teria, caso não passasse por essa experiência. Ilustrando isso, ele cita o trabalho que desenvolveu no ano passado em uma casa de apoio a pessoas com dependência química e portadores de HIV em Jaguapitã. ''Essa foi a vez mais difícil porque é uma realidade bem diferente da que eu vivo aqui. Às vezes o aluno começa meio na obrigação, mas depois que ele ouve e passa a entender as pessoas, começa a se sentir parte daquilo'', garante.
É a sensação de fazer parte da vida de alguém que pretende sentir a estudante do quarto semestre de Direito Paula Bergamasco, 19 anos. Para isso, ela participou no final de semana de uma oficina preparatória disponibilizada pela própria universidade, onde pode participar de atividades e brincadeiras que deverá utilizar na instituição que visitar. ''Estou bem ansiosa e já queria ter feito isso antes. Tenho certeza que vou aprender muito mais com eles do que eles comigo, tamanha a importância dessa disciplina'', diz a jovem que, assim como Bispo, atenderá crianças do ensino fundamental.


