São Paulo, 14 (AE) - Um aluno de uma universidade pública brasileira custa ao Estado quase a metade do que custa um aluno de uma instituição similar no Canadá, Estados Unidos ou Japão e praticamente o mesmo que um universitário do setor público na Alemanha, Austrália ou Bélgica. Essa é uma das conclusões do dossiê preparado pela Comissão de Defesa da Universidade Pública, formada por professores e intelectuais de várias áreas que, há dois anos, se dedica a estudar as cerca de 35 universidades públicas brasileiras que têm cursos de pós-graduação e o impacto social de suas atividades. Criada pela reitoria da Universidade de São Paulo (USP), a comissão divulga quarta-feira os resultados de seu trabalho. "O objetivo foi estudar a realidade das universidades públicas para acabar com alguns falsos mitos amplamente divulgados, como o de que o custo por aluno é superior ao dos países desenvolvidos", disse o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch.
No custo por aluno, a comissão levou em conta uma média entre os dois cálculos disponíveis, que expurgam da conta os gastos com aposentados e hospitais universitários. "Nenhum país do mundo computa isso no custo por aluno", frisa Marcovitch. Com o mesmo expurgo, porém, os dois cálculos apresentados no dossiê são bem díspares. Custo - Segundo estudo de Eunice Durham, o custo por aluno/ano nas univeridades federais é de US$ 8,5 mil ao ano, enquanto para os reitores dessas universidades é de US$ 4,7 mil. O dossiê, assume, então, a média, cerca de US$ 6,5 mil, para comparar o gasto com o de países como EUA (US$ 11,8 mil), Canadá (US$ 12,3 mil), Japão (US$ 11,8 mil), Alemanha (US$ 6,5 mil), Espanha (US$ 3,7 mil) e Itália (US$ 5,8 mil).
O dossiê destaca, sobretudo, a excelência da universidade pública brasileira, lembrando que a quase totalidade (94,7%) das publicações feitas por pesquisadores brasileiros em revistas científicas internacionais são de autores vinculados às univeridades públicas do País. Na graduação, o documento enfatiza que quase 60% dos univesitários da rede pública obtiveram classificação A ou B no Exame Nacional de Cursos (provão) do Ministério da Educação, contra menos de 20% dos alunos da rede particular.
O documento menciona também o importante papel das universidades públicas na expansão do ensino privado no País, uma vez que oferecem 87% dos cursos de mestrado e 89% dos doutorados existentes no País. "É da universidade pública que estão saindo os mestres e doutores que lecionam nas instituições privadas", destaca Marcovitch. O trabalho enfatiza uma série de pesquisas desenvolvidas no âmbito da universidade pública ou em estreita colaboração com ela que tiveram grande impacto social e econômico no País.
É o caso, segundo o dossiê, de toda a tecnologia para exploração de petróleo em águas profundas, desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assim como uma série de vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantã em colaboração com a USP, que já foram reconhecidas internacionalmente como superiores às outras disponíveis no mercado e representaram uma grande economia de divisas para o País.

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