Universitária homossexual reclama desconto para casal
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quinta-feira, 01 de outubro de 2009
Silvana Leão<BR> Reportagem Local 
Londrina - A estudante universitária Camila Taari Silva de Almeida procurou a Delegacia da Mulher na tarde de ontem para registrar um boletim de ocorrência por constrangimento contra a Churrascaria Vento Sul, onde esteve na última terça-feira com sua companheira e um grupo de amigos. Camila e sua companheira juntas há mais de quatro anos não ganharam o desconto oferecido a casais, enquanto seus amigos três homens e três mulheres tiveram o abatimento.
Um amigo gay e uma amiga heterossexual, sentados longe um do outro, apenas por estarem à mesa conosco foram considerados um casal e nós fomos meramente menosprezadas por sermos do mesmo sexo. Após ser questionado, o funcionário desculpou-se, alegando que pessoas do mesmo sexo não participavam da promoção, conta Camila. Não queremos dinheiro, muito menos retratação pública, e sim que todos tenham os mesmos direitos.
A delegada da Mulher, Elaine Aparecida Ribeiro, informou que será aberto um termo circunstanciado para apurar o ocorrido. As partes serão ouvidas e se o constrangimento for comprovado, o caso será encaminhado para o Juizado Especial Criminal, que tomará as medidas cabíveis. Segundo a delegada, este tipo de caso não é comum. Desde que assumi a delegacia, há um ano e meio, é a primeira vez que alguém registra um boletim alegando constrangimento e discriminação.
Desde junho de 2002 o município tem uma lei (nº 8.812) que estabelece penalidades a todo estabelecimento que discriminar pessoas em razão de sua orientação sexual ou contra elas adotar atos de coação ou violência. A pena pode ser multa de R$ 5 mil a R$ 10 mil, que dobra em caso de reincidência; suspensão do alvará de funcionamento por 30 dias e até sua cassação.
O gerente da churrascaria, Jackson Walker, definiu o episódio como um equívoco, informando que na terça-feira ele foi substituído pelo maitre, que está na casa há pouco tempo. Faltou experiência a ele, é claro que o desconto (de R$ 7,90) deveria ter sido dado. Walker disse ainda que o estabelecimento tem vários clientes homossexuais, e que este tipo de problema nunca havia acontecido antes. Respeitamos todos, independente de raça, cor, religião ou orientação sexual. Foi um mal-entendido, pedimos desculpas.


