Universitária é presa no Recife acusada de racismo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de junho de 2004
Angela Lacerda<br>Agência Estado 
Recife - A universitária Maria Luíza Brito de Alencar, de 27 anos, foi presa anteontem à noite, acusada de racismo, e levada para a Colônia Feminina do Bom Pastor, no Recife. Ela foi autuada em flagrante, na Delegacia de Santo Amaro, para onde foi levada pela vítima de preconceito, o soldado da PM Leonildo Hilário Nunes.
Nunes havia sido chamado para resolver uma discussão entre a universitária e mais três amigos com um taxista, que transportara o grupo de estudantes até o bairro da Ilha do Leite, onde ela mora. O desentendimento com o taxista teria sido pela falta de R$ 2,00 para pagar a corrida.
De acordo com a queixa do policial, ela o teria destratado e xingado, o discriminando por ser negro, durante a intervenção no caso com o taxista. O policial teria desrespeitado o capitão PM Alexandre Menezes, que é amigo da estudante e foi chamado por ela, por telefone, para interferir. Maria Luíza e seus colegas negaram a versão do policial, detido por desacato ao oficial na Corregedoria da Polícia Militar.
Natural de Bodocó, no sertão, a estudante cursa Serviço Social na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). A expectativa era de que ela seria liberada ainda ontem, por força de habeas-corpus. A prática de racismo é crime desde 1989 e o acusado pode pegar pena de um a três anos de prisão.


