Universitária é baleada ao comprar lanche no Rio
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segunda-feira, 05 de maio de 2003
Agência Folha 
Rio - Uma estudante de 19 anos levou um tiro no rosto, na manhã de ontem, enquanto comprava um sanduíche na lanchonete no campus da Universidade Estácio de Sá no Rio Comprido (zona norte do Rio). Ela corre o risco de morte, segundo os médicos que a atenderam. No caso de sobreviver, poderá ficar tetraplégica (paralisia nos membros inferiores e superiores). Luciana Gonçalves Novaes, aluna do primeiro período da Faculdade de Enfermagem, estava no intervalo das aulas, por volta das 9h, quando foi baleada.
Alunos contaram que o tiro partiu do morro do Turano, que fica atrás do campus da universidade. Foram ouvidos alguns disparos e, em seguida, Luciana caiu no chão. Houve pânico e correria. O auxiliar administrativo Marcelo Araújo Matos, 24, também foi ferido com estilhaços na nádega esquerda. Ele foi medicado e liberado.
Avisada pela universidade, a polícia decidiu fechar o campus. Muitos alunos ainda estavam no campus e entraram em pânico porque não conseguiam sair. Do lado de fora, moradores do Turano, exaltados, xingavam os policiais por causa da morte de uma pessoa na favela, no sábado.
Luciana foi levada para o hospital Casa de Portugal, em frente à faculdade, e depois transferida para o Pró-Cardíaco, em Botafogo (zona sul). Segundo o diretor da Casa de Portugal, Carlos Alberto Chiesa, seu estado é grave.
O médico explicou que a bala, que atingiu a mandíbula esquerda, destruiu parte da terceira vértebra cervical e se alojou na coluna medular. Ela respira com a ajuda de aparelhos, não tem movimentos e está sedada para evitar que sinta dor. ''A aluna ainda corre risco de vida e, infelizmente, o mais provável é que fique tetraplégica'', lamentou Chiesa. À tarde, a jovem se submeteu a exames preparatórios para uma cirurgia de retirada da bala. Até o começo da noite, a operação ainda não havia começado.
''Eu fico revoltado. A gente se sente inútil diante desses bandidos. Eu estou morrendo um pouco junto com a minha filha. O que tem que ser feito é varrer esses morros e acabar com a bandidagem'', disse, muito abalado, o pai da estudante, José Almir Novaes.
A Universidade Estácio de Sá informou que recebeu na manhã de ontem uma carta que determinava o fechamento de todo o comércio do bairro. A carta chegou quando as aulas já haviam começado. O ex-senador Artur da Távola, chanceler da universidade, lamentou o acidente. ''O que aconteceu hoje (ontem) não é nada de diferente do que acontece no Rio. O único diferencial é que se deu num campus de uma universidade'', afirmou.


