Universidades privadas preparam avalição paralela ao provão
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 23 (AE) - Após serem ameaçadas de fechamento, pelo Ministério da Educação (MEC), por causa das notas baixas obtidas no Exame Nacional de Cursos, o provão, as instituições de ensino privado, ligadas à Associação Nacional de Universidades Particulares (Anup) e ao Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Senesp), resolveram contra-atacar. Em agosto, a Anup e o Senesp, que representam 60% das 1,3 mil universidades privadas do País, vão realizar, em São Paulo, o 1º Fórum Nacional de Avaliação Instititucional. A intenção, o presidente da Anup, Maurício Schermann, deixa claro: "No futuro, poderemos até esvaziar a função do provão como forma de avaliação da universidade privada".
No encontro, as duas entidades pretendem discutir como deve ser a avaliação das universidades. Segundo Schermann, essa análise servirá como modelo de comparação ao provão aplicado pelo MEC. "Lógico que vamos comparar os nossos resultados com os do provão, e depois tomar as medidas necessárias para melhorar o padrão de ensino da instituição", disse. A associação já contratou a Fundação Cesgranrio para realizar o trabalho. Na avaliação da Anup, serão analisados, entre outros, o corpo docente, o currículo, a distribuição de aulas por curso e de alunos por turma, aspectos administrativos e até o ambiente físico onde estão instaladas a universidades.
A intenção é fazer ainda uma avaliação do aproveitamento educacional do aluno ao longo do curso. "A maioria dos estudantes que entram na universidade pública é, de certa forma, mais preparado do que os que estão nas particulares, porque o nível de competição no vestibular é desigual entre uma e outra"
explica. "Mas isso não impede que o aluno de uma universidade privada possa ter melhor aproveitamento do que o da pública". O presidente da Cesgranrio, Carlos Alberto Serpa, adianta que a forma da avaliação será discutida no seminário, em agosto.
Para ele, é importante que as universidades privadas se preocupem com a qualidade, porque cada vez mais a responsabilidade do ensino superior recairá sobre essas entidades. "O número de alunos do ensino médio vem crescendo nos últimos anos e o governo federal não poderá assumir toda essa demanda, deixando para as universidades privadas uma a responsabilidade maior de oferecer curso de nível superior", acredita. "Por isso é necessário que elas melhorem sua qualidade, fazendo constantes avaliações". Reação - A reação das duas entidades tem motivo. Em maio, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ameaçou fechar 101 cursos das áreas de direito, administração e engenharia civil que receberam conceitos D e E três vezes seguidas no provão, ou foram considerados em condições insuficientes (CI) em dois dos três itens verificados pelas comissões de especialistas da Secretaria Nacional de Educação Superior. Essas comissões são responsáveis pela avaliação do corpo docente, da organização didático-pedagógica e das instalações físicas dos cursos.
A maioria dos cursos ameaçados de desaparecer eram de faculdades isoladas, mas havia também instituições privadas importantes, como o Mackenzie, a Universidade de Garulhos, de São Paulo, e as Pontíficas Universidades Católicas de Minas Gerais (PUC-MG), do Paraná (PUC-PR), de Pernambuco e Salvador, além de várias universidades federais - como as da Bahia, Alagoas, Goiás, Rondônia, entre outras. O presidente da Anup diz que a intenção é fazer um raio-x completo de cada instituição para detectar problemas específicos que levaram algumas delas a tirar notas baixas seguidas nas três edições do exame nacional do MEC.
"O provão é um excelente exame, ajudou a mostrar nossas falhas, mas é um exame muito geral", disse. "Precisamos de uma avaliação mais profunda para identificar os problemas específicos de cada instituição".


