Os 1,6 mil professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) aderiram à paralisação que envolveu 6 mil professores das cinco universidades estaduais do Paraná ontem, segundo avaliação do sindicato da categoria. Hoje, eles retomam o trabalho mesmo sem receber qualquer resposta do governo do Estado.
A greve de um dia teve a adesão dos professores na Unioeste de Cascavel, Unicentro de Guarapuava, UEM de Maringá e UEPG de Ponta Grossa. No dia 1º de agosto os docentes voltam a se reunir em assembléia para discutir o início de greve por tempo indeterminado.
Conforme a professora Inez Oliveira, presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), a greve de ontem não afetou as atividades prestadas à população através do Hospital Universitário e o Hospital Veterinário.
''A manifestação de não dar aula foi espontânea e os poucos professores que decidiram lecionar não foram retirados das salas'', disse Inez. Segundo ela, há quase um ano e meio a classe vem apostando tudo para resolver a questão salarial.
Os professores pedem reajuste de 28% a 54% sobre as perdas salariais. A última oferta do governo apontou um aumento de 6,57%, ''sem saber quando o dinheiro vai entrar no bolso dos professores'', completou a presidente do Sindiprol.
De acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), as perdas acumuladas chegam a 25 salários ao professor que está na UEL desde março de 1997.
Para a professora, ''todo professor que sai é uma perda de um bem público''. ''As universidades vêm cumprindo seu papel. Mesmo com dificuldade, são eficientes, são destaque nacional e até os exames de avaliação reconhecem a qualidade do ensino, pesquisa e extensão.''
Em Cascavel, 90% dos docentes da Unioeste aderiram à paralisação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Unioeste (Sintioeste), Ivan José de Padoa, disse que a participação foi de 150 docentes e servidores técnicos. Em Ponta Grossa, os professores dedicaram-se a um evento de pesquisa promovido pela universidade, afirmou o presidente do Sindicato dos Professores e Técnicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Sintespo), Emerson José Barbosa.
Já em Guarapuava, menos da metade dos professores pararam as atividades. Conforme o presidente da Associação dos Docentes da Unicentro (Adunicentro), Denny William da Silva, 30% dos 660 docentes da universidade são colaboradores temporários e ''temem a falta de estabilidade no trabalho''.
As duas faculdades estaduais de Curitiba (Faculdade de Artes do Paraná e Escola de Música e Belas Artes do Paraná) funcionaram normalmente ontem.
A FOLHA procurou a secretária da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lígia Puppato, para saber a posição do Estado sobre a greve dos professores mas, até o fechamento da edição, não obteve retorno.

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