Universidades do Mercosul buscam base tecnológica comum
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de abril de 1999
Por Gabriela Athias 
Campinas, SP, 26 (AE) - Universidades de países do Mercosul estão unindo esforços para produzir uma base tecnológica comum. O primeiro passo é uma pesquisa multidisciplinar desenvolvida por instituições do Brasil, Argentina e Chile, sob a coordenação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Temos de promover a evolução técnico-científica entre os países do Mercosul para que eles deixem de ser apenas compradores de tecnologia e possam fortalecer suas relações, não apenas pelo aspecto econômico e comercial ", diz Mohamed Habib, da Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (Cori) da Unicamp."Entre nós só há cartas de comércio internacional; isso não está sendo suficiente para a integração regional", afirmou, ao citar os efeitos das mudanças cambiais na moeda brasileira.
Esse primeiro projeto, orçado em US$ 80 milhões, abrange 63 subprojetos nas áreas de ciências biomédicas, exatas e tecnológicas e humanas e sociais. A idéia é que a união dos pesquisadores de diversos países em torno dos mesmos projetos de pesquisa facilite a obtenção de financiamento por parte das instituições internacionais. Nos próximos dias, a Cori vai começar a apresentar o projeto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a outras agências de fomento.
O representante da Fundação Ford, Niegel Brooke, adverte que as agências de fomento - especialmente as privadas - dificilmente financiarão pesquisas voltadas ao desenvolvimento regional antes de os países adotarem políticas formais para regulamentar o trânsito de estudantes entre as universidades do Mercosul. Ele lembra que, no Leste Europeu, onde foi criado um acordo desse tipo, o Tempus, os pesquisadores enfrentam dificuldades de financiamento.
Brooke também ressalta o desequilíbrio na oferta de cursos de pós-graduação entre os países. Enquanto o Brasil oferece cerca de 1,7 mil cursos de mestrado e 450 de doutorado, a Argentina e o Chile não dispõem de 50% desse total. Exemplo disso é que, dos 63 subprojetos, apenas 10 contam com a participação de argentinos e chilenos. O restante é feito exclusivamente por brasileiros. Ele diz que uma das soluções para superar essa desigualdade é identificar os centros de excelência existentes nos países e limitar o trânsito a esses eixos.
Conselho - O presidente do Instituto Latino-Americano (Ilam), deputado Franco Montoro (PSDB-SP), vai propor às universidades brasileiras a criação de um conselho interuniversitário. Esse conselho, que pretende contar gradativamente com instituições dos outros países, terá dois objetivos: pressionar os governos para que adotem políticas que regulamentem o trânsito para os universitários da região e pleitear assento no Mercosul, possivelmente no Fórum da Sociedade Civil.
Hoje a Cori promoveu o 1.º Seminário Mercosul-Unicamp para apresentar o resumo dos 63 subprojetos. Participaram embaixadores do Paraguai e Uruguai.


