Universidades definem calendário
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Os conselhos das universidades Federal (UFPR) e Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) decidem hoje se o calendário acadêmico será suspenso enquanto durar a greve de professores. A paralisação completa hoje 42 dias e não houve proposta de negociação por parte do governo federal. Em todo o território nacional são 59 instituições federais paradas. A UFPR divulgou na quarta-feira que a decisão sairia hoje, mas corrigiu a informação e confirmou a reunião para hoje.
A indefinição é motivo de preocupação entre os alunos do campus da UTFPR em Londrina. A movimentação no local, onde estudam mil alunos, tem sido pequena nos últimos dias. Aluna do último ano de engenharia ambiental, Livia Buono vai ao campus para receber orientação do professor para seu projeto de iniciação científica. As ''reuniões'' são feitas no piquete de greve. ''Ele tem que estar todos os dias lá e a gente faz reunião semanalmente. Recebo orientações se estou fazendo correto, essas coisas'', disse.
Outros estudantes dizem que as incertezas acerca do futuro são motivo de preocupação. ''Não consigo fazer planejamento algum. Como o curso é integral tenho dificuldade em arrumar emprego. Conseguir estágio também fica complicado, porque não tem definição de quando a greve termina, se as aulas serão retomadas logo na sequência'', declarou o universitário Daniel Nishimura Imoco, que também cursa engenharia ambiental.
''Eu tinha planos de fazer 'work travel' no final do ano nos Estados Unidos. Agora com a greve estou impossibilitada porque provavelmente as aulas, se retomadas, só vão terminar no ano que vem'', comentou Luana Fantini, que cursa Engenharia Mecânica em Cornélio Procópio.
Ivan Taiatele Junior está inscrito no programa do governo federal ''Ciência sem fronteira'' e tem viagem marcada no mês que vem para a Austrália. O intercâmbio tem um ano de duração. Ele está no sétimo período de engenharia ambiental e tem poucas esperanças de concluir este semestre de aulas sem atrasos. ''O semestre não será reaberto antes de eu ir para a Austrália. Isso traz um prejuízo muito grande porque provavelmente perderei tudo o que já foi feito'', disse. A maioria dos estudantes ouvidos pela reportagem, no entanto, é a favor da mobilização grevista.
Os professores cobram reajuste de 22%, reestruturação da carreira e melhores condições de serviço. Os docentes reclamam que o governo não senta à mesa de negociação. ''A gente enfatiza que educação é algo fundamental e não dar atenção a este caso é mostrar que não há plano de governo para o setor educacional. Isso é um descaso'', reclamou o professor Claudio Takeo, membro do movimento grevista em Londrina.
O Ministério da Educação (MEC) informou que tem uma proposta de plano de carreira pronta para apresentar aos grevistas. A apresentação será feita em uma reunião com os representantes dos professores, que será marcada pelo Ministério do Planejamento. O agendamento deve ocorrer nos próximos dias.



