Brasília, 08 (AE) - A Associação Brasileira de Universidades Comunitárias (Abruc) decidiu não se inscrever na nova modalidade de crédito educativo do Ministério da Educação. "Esse novo sistema prejudica as instituições e os alunos", disse Antônio Carlos Ronca, reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e presidente da entidade, que reúne 33 universidades católicas e presbiterianas.
Hoje, após uma reunião, a Abruc divulgou nota criticando o novo programa de crédito educativo. A associação vai tentar marcar uma audiência com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. A intenção é convencer o governo a fazer alterações na medida provisória que criou o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
"Não vamos nos credenciar enquanto não houver mudanças adequadas", informou o reitor Ronca. Na nota, a Abruc diz que as receitas indicadas para a composição do fundo são "no geral incertas e notoriamente insuficientes" para o atender todos os alunos carentes.
Os reitores de universidades comunitárias também criticam o fato de o governo fixar a cada semestre letivo a taxa de juros do financiamento. Para a Abruc, o aluno ficou "sujeito às variações conjunturais e à decisões que ficam fora de seu controle". A associação considera "inaceitável" que as instituições assumam o papel de devedoras solidárias de 10% do valor da inadimplência. "Não podemos arcar com estes custos", argumentou o presidente da Abruc.
As universidades do setor não querem receber o valor do crédito em títulos da dívida pública, como prevê a medida provisória. A única finalidade dos títulos seria o pagamento das obrigações previdenciárias, segundo o reitor Antônio Ronca. "As universidades reafirmam sua luta pela manutenção da filantropia", diz, o texto divulgado hoje. Segundo o presidente da Abruc, os alunos beneficiados com o modelo anterior do crédito educativo não serão prejudicados com a decisão da associação.

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