São Paulo - Investidores americanos, canadenses e europeus que aplicam seus dólares em fundos de investimentos estrangeiros e nunca tiveram contato com o setor educacional estão perto de se transformar nos novos donos de universidades e faculdades brasileiras. Empresas que administram esses fundos e buscam oportunidades mundo afora querem apostar suas fichas na aquisição total ou parcial de instituições privadas de ensino do País em especial as de ensino superior, que movimentam R$ 15 bilhões e cresceram 157% nos últimos nove anos.
O objetivo é adquirir as instituições, injetar recursos, participar da gestão e finalmente revender as faculdades e universidades por um preço multiplicado. Operações desse tipo chamadas no mercado financeiro de private equity já vêm sendo feitas no Brasil com empresas dos setores de serviços e industriais, como redes de farmácias, laboratórios, empresas de alimentos e no ramo do agribusiness.
''Os fundos procuram investir em países emergentes que ainda têm potencial de crescimento maior que o dos mercados maduros. E o setor de educação no Brasil cresce muito mais que o de outros países'', disse Patrice Etlin, um dos sócios do Advent International, multinacional que administra um fundo de US$ 265 milhões e busca oportunidades em diversos setores no Brasil. A empresa tem feito contatos e propostas a instituições de ensino.
As universidades públicas atendem hoje menos de um terço da demanda, de 3 milhões de matrículas. De 1995 para cá, o número de instituições privadas de ensino superior subiu de 684 para 1.762. Nelas estudam 2,1 milhões de alunos. Projeções apontam que esse total será de 6,3 milhões em 2008, o que representa uma taxa de crescimento anual das matrículas de 11%.
De olho nesses números, a JP Morgan Partners maior empresa de private equity do mundo também busca investimentos em educação aqui. A empresa possui um fundo de US$ 570 milhões para investir pelos próximos três anos em negócios na América Latina.
Não há barreira legal para investimentos desse tipo. Por enquanto, nenhum fundo conseguiu bater o martelo com instituições de ensino. Investidores dizem que muitos proprietários de faculdades e universidades superestimam o valor de venda de suas instituições. Ou então, faltam a elas transparência administrativa suficiente para que se tornem negócios atraentes para os investidores.

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