Recife, 24 (AE) - O vestibular feito ontem (23) pela Universidade Salgado Oliveira (Universo), no Recife, pode ser anulado. A universidade fez o concurso, apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter determinado sua suspensão na noite da sexta-feira, alegando não ter tido conhecimento oficial do fato. "Soubemos da suspensão através da imprensa, mas não fomos notificados", disse o pró-reitor de Administração da Universo, Ubirajara de Melo Filho.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que pediu a suspensão do vestibular por medida cautelar, vai encaminhar reclamação ao STF diante do descumprimento da decisão judicial e o presidente da OAB-PE, Aluízio Xavier, comunicou o fato à Procuradoria da República para que seja apurada a responsabilidade pelo crime de desobediência.
"A realização do vestibular foi uma afronta ao Poder Judiciário e aos 3.500 estudantes que participaram do concurso sem imaginar que ele pode ser cancelado", afirmou Xavier, ressaltando que o argumento utilizado pela Universo para fazer o vestibular é desprovido de ética.
A suspensão do concurso foi pedida pelo Conselho Federal da OAB sob a alegação de que a Universo não tem autorização do Ministério da Educação para funcionar na cidade e nem parecer da OAB sobre o curso de Direito a ser criado. Foi o primeiro vestibular feito pela Universo no Recife. Ele ocorreu em dois turnos, num período de 8 horas. A universidade pretende começar a funcionar em fevereiro, oferecendo 920 vagas em 10 cursos - entre eles Direito, Jornalismo, Administração, Letras, Pedagogia e Comércio Exterior. As mensalidades variam de R$ 300,00 a R$ 400,00.
O pró-reitor Ubirajara de Melo Filho disse que tão logo a universidade seja notificada da determinação do STF vai tomar as "providências cabíveis" para assegurar a validade do vestibular. Até o final da tarde, os advogados do estabelecimento participavam de uma reunião para definir que medidas jurídicas tomar.
A Universo tem sede no Rio de Janeiro e, de acordo com o presidente regional da OAB, o curso de Direito ministrado naquela cidade teve péssima avaliação no provão (conceito D e E). Xavier informou que, no Rio, a Universo trava uma luta judicial com o MEC, porque quer provar que não precisa de autorização para abrir cursos em outras capitais. A universidade se baseia, especialmente, no fato de o Ministério da Educação ter aprovado o seu estatuto que já previa a instalação de campi em outras cidades.

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