São Paulo, 17 (AE) - A Universidade de Santo Amaro (Unisa) criou um grupo multidisciplinar de pesquisa para verificar até que ponto o ser humano pode ser contaminado pelo urânio presente em fertilizantes e na ração animal. O Bionuc está estudando essencialmente a biodistribuição de urânio na cadeia alimentar, mas desenvolve também um projeto para identificar e quantificar a presença de metais pesados e outras substâncias tóxicas nos peixes da Represa de Guarapiranga, na região metropolitana de São Paulo.
Entre as experiências que o Bionuc está realizando para averiguar os efeitos do urânio no organismo, destaca-se a que se iniciou em junho com um grupo de cachorros beagles. Os animais estão sendo alimentados com doses variadas de urânio, por meio de biscoitos especialmente preparados pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Em fevereiro, todos serão sacrificados para que mais de 50 partes de seus corpos possam ser analisadas em laboratório. O objetivo é saber quais as áreas que mais retêm urânio e as respectivas dosagens.
Com isso, em julho, o grupo espera poder anunciar quais os prejuízos que o urânio presente nos alimentos vegetais e animais pode causar à saúde. Enquanto durar o experimento, a urina e fezes dos animais serão separadas e levadas para um depósito de lixo radioativo para evitar os riscos de contaminação ambiental. O grupo integra pesquisadores da Unisa das áreas de medicina, física, ciências biomédicas e veterinária
que trabalham em colaboração com o Instituto de Física e com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, ambos da USP, além do Instituto Superior de Ciências e Tecnologias Nucleares (ISTN), de Cuba.

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