Universidade defende direito de Paula Thomas a vaga
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 30 (AE) - A Universidade Cândido Mendes (Ucam) não abre mão de ter, entre seus alunos, Paula Thomas, condenada a 15 anos de prisão pelo assassinato da atriz Daniela Peres, em dezembro de 1992, e atualmente em liberdade condicional. Paula está cursando seis matérias do ciclo básico da instituição e entrou sem fazer vestibular, pois foi aprovada no Programa de Acesso Direto (PAD), que permite aos melhores alunos do Segundo Grau entrar passando apenas por um exame psicotécnico que não mede os conhecimentos da escola secundária.
"Ela está plenamente dentro da lei, foi punida pela sociedade pelo crime que cometeu, cumpriu pena e não cabe a nós discutir se a lei está correta ou não", explicou hoje o diretor da unidade Ipanema da Ucam, Rui Affonso. Ele disse que uma minoria dos alunos protesta contra a presença de Paula na sala de aula, mas é dever da universidade acolhê-la. "Como educadores, temos obrigação de dar chance a uma jovem que quer se reintegrar na sociedade, de acordo com a lei", continou.
"Além disso, a maioria dos nossos alunos faz Direito e seria incoerente a vontade da parte deles de ir contra a lei." Paula pediu para participar do trote dos calouros, mas não frequentou as aulas esta semana, embora não tenha feito qualquer comunicado oficial à direção da Ucam. Segundo Affonso, ela teve bom desempenho no teste de aprovação, "até porque é um pouco mais velha que a média da turma, que tem 17 ou 18 anos." Paula, que tem 27 anos, paga uma mensalidade de R$ 660,00 e se matriculou para o curso de Administração, embora possa mudar de opção no segundo semestre.
O diretor não sabe se ela veio de escola pública ou particular, mas acredita na segunda hipótese. "Nosso perfil de alunos é o jovem de classe média da zona sul carioca." Affonso contou ainda que Paula queria cursar o período norturno, mas está impedida pela lei. "Nossas aulas à noite terminam às 22h30m e ela, por estar em liberdade condicional, tem que chegar em casa às 22 horas", explicou. Hoje foi um dia calmo na universidade, sem protesto dos alunos que não querem Paula entre eles ou dos que reconhecem seu direito de fazer o curso da Ucam. Na Cinelândia, no centro da cidade, houve um ato contra a violência que juntou, além do grupo contra Paula, as Mães de Acari e outras vítimas da violência. Poucas pessoas participaram.


