Londrina – De acordo com estimativa do Instituto Trata Brasil, se as melhorias em saneamento básico seguirem no ritmo atual, o Brasil só deve atingir a universalização dos serviços, prevista para 2033, em cem anos. "A principal conclusão é que o avanço obtido em saneamento, nos últimos cinco anos, é relevante, mas insuficiente se comparado ao plano nacional", disse o presidente executivo do Instituto, Edison Carlos, à Agência Brasil.
No País, a média nacional de atendimento com água tratada é de 82,5%. A média brasileira de coleta de esgoto é de 48,6% e a de tratamento é de 39%, evolução de apenas 0,3% em relação ao ano anterior. De acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico, o custo para universalizar o acesso aos quatro serviços do saneamento (água, esgotos, resíduos e drenagem) é de R$ 508 bilhões, no período de 2014 a 2033. Para universalização da água e dos esgotos esse custo será de R$ 303 bilhões em 20 anos.
A região Norte é a que mais despeja esgoto sem tratamento: 82% do total. O Sul vem logo atrás, com 60%. Com exceção do Paraná, os outros Estados da região Sul possuem índices abaixo da média nacional (39%) em tratamento. No Rio Grande do Sul, o percentual é de apenas 12,58% e em Santa Catarina, de 19,58%. Em seguida, vem o Nordeste e o Sudeste. Por último, Centro-Oeste tem a menor taxa. Mesmo assim, devolve para a natureza 30% do esgoto sem tratamento.
O Trata Brasil avaliou os serviços de água e esgoto das cem maiores cidades do País, onde vivem cerca de 80 milhões de pessoas, ou 40% da população do Brasil. Segundo Jesner Oliveira, um dos elaboradores da pesquisa, os resultados mostraram que os avanços ainda são poucos. "A maior parte dessas cidades não vai atingir todos os indicadores, principalmente de tratamento de esgoto e redução de perda de água", prevê. (C.F.)

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