Universal é multada em R$ 98 mi
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Agência Estado Rio 
O Ministério Público Federal (MPF) enviou ontem à Receita Federal um requerimento de informações sobre as investigações feitas na Igreja Universal do Reino de Deus que culminaram, na semana passada, com uma multa de R$ 98 milhões. De acordo com a procuradora do MPF no Rio Anaiva Obert Cordovil, caso as informações fornecidas pela Receita indiquem que foi praticado algum crime, será instaurado um inquérito na Polícia Federal. Agora, segundo a procuradora, se nas investigações forem encontradas provas contra a Universal o MPF poderá propor, à Justiça, uma ação penal contra a Igreja.
A multa, aplicada pela Receita, é referente a valores de impostos que não foram pagos e as multas cobradas sobre eles. Segundo auditorias feitas pelos fiscais da Receita nas atividades da Igreja Universal, entre 1991 e 1994, a igreja teve lucro, portanto, não se enquadrando no perfil de entidade religiosa sem fins lucrativos. Ainda, segundo a Receita, a igreja no período investigado utilizava recursos próprios para fazer empréstimos a seus dirigentes.
Estes empréstimos eram utilizados pelos líderes da Universal para montagem de negócios próprios, que passavam a prestar serviços para a igreja. Segundo a Receita, existem seis dirigentes da igreja que foram os principais beneficiados pelos empréstimos. São eles: Edir Macedo (principal líder da igreja), Rubens Didini, Carlos Roberto Rodrigues Pinto, Paulo Roberto Vieira Guimarães, Marcelo Bezerra Crivella e João Batista Ramos da Silva.
A procuradora explicou que a Receita Federal só poderia propor um procedimento do Ministério Público depois que o processo administrativo estivesse concluído. Entretanto, de acordo com Anaiva Cordovil, a lei permite que o MPF faça este tipo de solicitação. Estou fazendo o requerimento à Receita Federal no Rio hoje, informou a procuradora.
Em 1995, o MPF solicitou a Polícia Federal que instaurasse inquérito para apurar supostas irregularidades praticadas pelos dirigentes da Universal, exibidas pela TV Globo. Com base no pedido do MPF, o juiz da 25ª Vara Federal expediu um mandado de busca e apreensão, executado pela equipe da PF coordenada pelo delegado Matheus Casado Martins, contra a igreja.
Apesar do mandado, o então advogado da Universal, o falecido Evaristo de Moraes Filho, entrou com um recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio suspendendo os efeitos da operação.


