Universal é condenada a pagar R$ 1,3 milhão
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Agência Estado 
Salvador,BA - A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada pelo juiz Clésio Rômulo Carilho Rosa, da 17 Vara Cível de Salvador, a pagar uma indenização de R$ 1,3 milhão a familiares da mãe-de-santo Gildásia dos Santos, Mãe Gilda. O motivo foi o uso de uma foto da ialorixá numa matéria publicada em 1999 pelo jornal ''Folha Universal'', editado em São Paulo. A imagem de Mãe Gilda ilustrava uma matéria com ofensas aos adeptos do Candomblé com a manchete: ''Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes''.
A IURD, que tem 30 dias para recorrer da sentença, não quis comentar o caso. ãe Gilda, que sofria do coração, morreu em 2000, 15 dias após seu terreiro ter sido invadido por Eliane Araújo e André Moura, da Assembléia de Deus, que depredaram o local. Por causa da invasão, o promotor da Justiça e Cidadania do Ministério Público Estadual Lidivaldo Brito iniciou uma ação pública contra o casal por discriminação religiosa. Esse caso ainda está tramitando na Justiça.
Brito explicou que o processo do Ministério Público busca condenar criminalmente Eliane e Moura, enquanto a ação movida pela família da mãe-de-santo busca uma reparação financeira pelos supostos danos morais causados pela Folha Universal, o jornal da IURD. A organização ''pirateou'' uma foto de Mãe Gilda publicada em 1992 na revista ''Veja'' para ilustrar a matéria sobre os ''macumbeiros'', usada nas tradicionais agressões da Igreja Universal às religiões afro.
Na mesma página, a organização evangélica oferece seus préstimos aos leitores como a melhor opção espiritual para quem quer resolver problemas. O episódio teria deixado a ialorixá muito deprimida, conforme sua filha Jaciara Santos, que convenceu a mãe a contratar um advogado para processar a igreja evangélica. Logo depois ela morreria.
O juiz Rosa deu a sentença no final da semana passada e além de fixar o valor da indenização, determinou que a ''Folha Universal'' publique com destaque a decisão em dois números sob pena de multa de R$ 5 mil no caso de descumprimento.
Os ataques ao culto afro já renderam na Bahia outros quatro processos (ainda em tramitação), além dos dois que envolvem Mãe Gilda. O promotor Brito assinou ações contra o padre católico Pierre Mathon, que associou a presença do diabo ao candomblé ao reprovar a visita de bispos e padres a um terreiro de Salvador; aos pastores batistas Átila Brandão e José Carlos Silva por agressões semelhantes no programa Portal da Esperança; ao chefe da seita evangélica Lírio dos Campos Jurandir Martins pela distribuição de um panfleto condenando o culto a Iemanjá; e ao ''bispo'' da IURD Sérgio Correa, que apresentava o programa Ponto de Luz na TV Itapoan (Record) onde eram comuns ataques contundentes ao culto afro. Os acusados podem ser condenados a penas de até dois anos de prisão por discriminação religiosa.


