Lisboa, 18 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso foi atacado por uma declaração pública do movimento guerrilheiro angolano Unita. O movimento acusou o presidente de estar ao serviço da Odebrecht, de representar um país racista, em que negros são escravizados e índios dizimados.
O presidente respondeu dizendo: "Não citei a Unita. Apenas disse que a situação em Angola é tão grave quanto no Kosovo e por isso acho que deveria despertar a atenção do Brasil, de Portugal, do mundo inteiro."
Rui Oliveira, representante da Unita em Portugal, acusou o presidente de ter feito declarações à televisão portuguesa SIC em que teria atacado o movimento, dizendo que é responsável por massacres e limpeza étnica na cidade do Cuito. Oliveira disse à Agência Estado que "essas declarações provam a ignorância que o presidente tem da realidade".
Segundo o comunicado do Comitê Permanente da Unita, "os interesses econômicos e financeiros, especialmente os da empresa brasileira Odebrecht, não deveriam impedir os dirigentes políticos de aprofundar o conhecimento dos problemas sobre os quais se querem pronunciar".
O movimento também disse que o Brasil não teria moral para falar da situação em Angola por causa da situação dos negros no país: "O Brasil, em nome do qual aquele presidente falou, não pode servir de exemplo para ninguém. A era da comercialização dos negros já passou. A escravização dos negros e o extermínio dos índios são práticas diárias no Brasil."
Angola é um país que se encontra em guerra desde 1961. Até 1975 esteve em guerra colonial e depois começou a guerra civil entre o governo e a Unita pelo controle do país. Com enormes riquezas minerais, especialmente petróleo e diamantes, tem possibilidades de ser um dos países mais ricos da áfrica.

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