Luanda, 27 (AE-REUTERS) - O grupo rebelde angolano Unita anunciou hoje (27) que havia capturado a cidade de Mbanza Congo, porta de saída da cidade petrolífera de Soyo, e rechaçado uma ofensiva governamental numa ponte estratégica nos arredores da cidade nortista de Malanje.
As notícias surgiram horas depois de o governo de Angola ter anunciado que havia finalmente abandonado o acordo de paz de quatro anos com a Unita liderada por Jonas Savimbi.
O secretário-geral da Unita, Paulo Lukamba Gato, afirmou por telefone à REUTERS que Mbanza Congo foi capturada na noite de terça-feira depois de intensos combates. Gato disse que a Unita estava varrendo bolsões de resistência governamental nos arredores da cidade e consolidando a marcha para Soyo.
Gato afirmou que a Unita matou 118 soldados governamentais, capturou muitas peças de artilharia e destruiu cinco tanques T-62, de fabricação russa, e três T-54. A Unita teria perdido quase uma dúzia de homens e 33 estariam gravemente feridos.
O ministro angolano da Defesa, general Pedro Sebastião, confirmou a tomada de Mbanza Congo diante do parlamento, em Luanda. Segundo seu porta-voz, Sebastião prometeu aos parlamentares conter o avanço do grupo rebelde.
Gato, que é o segundo homem mais poderoso da Unita depois de Savimbi, disse que suas forças também haviam rechaçado uma ofensiva governamental contra posições da Unita na ponte Porto Salazar sobre o Rio Kuanza, o maior de Angola.
Ele afirmou que unidades da Unita também estavam avançando em direção à cidade de Cafunfo, rica em diamantes.
Angola, uma nação do sul da África rica em petróleo e diamantes, voltou a ser tomada pela guerra civil depois que o acordo de paz de 1994, agora formalmente abandonado, entrou em colapso. Tanto o governo quanto a Unita usaram os quatro anos de relativa calma para se rearmar.
Diplomatas ocidentais em Luanda afirmaram que a tomada de Mbanza Congo poderia desestabilizar empresas de petróleo estrangeiras instaladas na região.
Ontem, comandantes do governo em Malanje, que procuram retomar o controle do país, afirmaram à REUTERS que suas forças paralisaram os bombardeios contra alvos rebeldes em Porto Salazar.
O ministro da Administração Territorial, Faustino Muteka, afirmou hoje que o acordo de paz de Lusaka, assinado em 1994 entre o governo e Savimbi, chegara ao fim e que qualquer pacto deverá ser tentado agora com o grupo renegado Unita Renovada, em Luanda.
A Unita Renovada, liderada por ex-aliados de Savimbi, rebelou-se contra seu líder em setembro depois de acusá-lo de trabalhar contra a paz.
Mas analistas afirmam que o grupo não dispõe de força real e que seu reconhecimento por Luanda não chegará a atingir Savimbi, que lidera o movimento rebelde desde seu início, em 1966, e controla uma tropa de mais de 30.000 homens.
O acordo de Lusaka prevê a formação de governo e parlamento de unidade nacional e uma força de defesa nacional.
Mas o acordo entrou em colapso depois que Savimbi, alegando desconfiar de Luanda, recusou-se desarmar suas tropas.

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