Unita ameaça longa guerra em Angola
Luanda, 31 (AE-REUTERS) - Rebeldes da Unita anunciaram hoje (31) que vão lançar uma guerra civil total contra o governo do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
"José Eduardo decidiu que o caminho é a guerra, então faremos uma longa guerra, por dois, talvez três anos", afirmou o comandante rebelde e secretário-geral da Unita, Paulo Lukamba Gato, por telefone à REUTERS de seu quartel-general em Andulo, no planalto central angolano.
"Depois disso, então voltaremos à mesa de negociações".
O governo e rebeldes da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) estiveram em guerra por quase 20 anos antes de um frágil tratado de paz de 1994, que agora parece ter afundado completamente.
Estima-se que o conflito provocou a morte de 800.000 pessoas desde 1975, quando Angola tornou-se independente de Portugal, e obrigou a fuga de milhões de pessoas de suas casas.
Os combates mais recentes começaram em 5 de dezembro, quando o governo lançou uma grande ofensiva contra bastiões rebeldes em Andulo e na vizinha Bailundo.
Os rebeldes repeliram os ataques e têm desde então assumido a iniciativa, capturando três cidades governamentais e avançando para o norte e oeste.
Analistas militares acreditam que a Unita está em controle da situação, em parte pelo fato de muitas tropas de assalto de Angola estarem atualmente ajudando o presidente da República Democrática do Congo, Laurent Kabila, a combater uma rebelião no país.
Numa iniciativa visando aumentar a intensidade de sua campanha anti-rebeldes, José Eduardo reformulou no sábado seu gabinete, removendo o ministro da Defesa e o substituindo por um general linha dura, Kundy Payama.
Na sexta-feira, José Eduardo havia destituído seu primeiro- ministro, e então abolido o cargo, deixando-o no controle da presidência, do governo e das forças armadas.
"A partir de agora, haverá uma mudança no método e estilo do governo", afirmou José Eduardo no sábado a seu recém-indicado gabinete de 28 membros numa cerimônia no palácio presidencial nos arredores de Luanda
"Nossa primeira prioridade é a luta final pela paz. Em outras palavras: precisamos fazer a guerra a fim de conquistar a paz".
Mas Gato desprezou a ameaça do presidente, dizendo que as forças do governo têm poucas chances de derrotar as calejadas guerrilhas.
"Não faz sentido ele dizer que pode eliminar a Unita. Ele pode eliminar 33 anos de lutas, 33 anos de história, 33 anos de experiência? É impossível", afirmou ele, referindo-se à luta contra o poder colonial português assim como contra o governista MPLA, Movimento Popular pela Libertação de Angola.





