Vânia Moreira
Quase esquecidos até há pouco tempo, os portadores de deficiência física de Umuarama passaram a receber mais atenção este ano. A cidade está se adapatando para facilitar a locomoção de pessoas que utilizam cadeiras de rodas. Reativada no final do ano passado, a Associação dos Deficientes Físicos (Adefiu) está se reorganizando e a Universidade Paranaense (Unipar) criou um projeto de extensão comunitária dirigido aos deficientes. Uma vez por semana, eles se reúnem para se exercitar, praticar esportes, se divertir e fazer novas amizades.
Paraplégico devido a um acidente de carro, o presidente da Adefiu, Luiz Fernando de Melo Costa, disse que os associados estavam dispersos e a associação desativada. ‘‘A associação recomeçou ano passado com duas pessoas. Agora já temos 21 associados na faixa de 15 a 55 anos’’. Segundo Costa, o maior incentivo foi o projeto esportivo criado pelo curso de educação física da Unipar. ‘‘Até o início desde ano, não tínhamos nenhum programa de atendimento ou apoio a deficientes físicos’’.
Professores e alunos do 2º ano de educação física querem promover a integração das pessoas portadoras de deficiências físicas e melhorar a coordenação motora deles, através de atividades esportivas. Segundo o coordenador do projeto, o professor José Irineu Gorla, outro objetivo é formar uma equipe de basquete para participar de competições, o que abrirá novas oportunidades de entrosamento e novos desafios para os participantes. Além de Gorla, participam do projeto seis alunos de educação física e um de fisioterapia.
Mais de 20 deficientes se reúnem uma vez por semana (às quartas-feiras à noite) no ginásio de esportes da Escola São José. Durante duas horas, cerca de 20 deficientes fazem exercícios físicos e jogam basquete sob a orientação dos professores e alunos. ‘‘É ótimo encontrar o pessoal e bater uma bolinha’’, diz Emerson Casarin, 25 anos, que ficou paraplégico num acidente de moto em 1994. José Irineu Gorla conta que, no início, eles mal conseguiam movimentar a cadeira de rodas e a bola. Agora, estão ficando ‘‘craques’’ e alguns se revelaram jogadores habilidosos. ‘‘Vamos ter uma equipe de basquete respeitável’’, prevê o coordenador.
Projeto Sara Paraplégica desde o nascimento, a estudante Sara Furlam Belini, 12 anos, trabalhou na campanha eleitoral para o prefeito Fernando Scanavaca (PPB) e pediu que ele adaptasse a cidade para os deficientes. Este ano, o prefeito atendeu o pedido de Sara.
Em menos de um mês, a Secretaria de Serviços Públicos construiu e remodelou cerca de 200 rampas nas calçadas do centro. Segundo o secretário Wilson Simões, existiam algumas rampas no centro, mas estavam fora de padrão e foram refeitas. Ele não soube precisar quantas serão construídas, mas toda a região do comércio terá rampas de acesso para deficientes. Também estão reservados estacionamentos para eles.
Batizado de Projeto Sara, o trabalho inclui ainda a construção de acessos em todos os prédios públicos municipais. A Secretaria de Serviços Públicos está instalando um elevador no prédio de quatro andares da prefeitura e uma rampa no Centro Cultural.
Segundo Simões, também serão construídas rampas de acesso em todas as escolas, postos de saúde e outras repartições públicas. Emerson Casarin diz que as rampas vão facilitar a vida de quem usa cadeiras de rodas, mas existe outro problema que também atrapalha a locomoção: a predominância das calçadas em petit-pavê (pedrinhas pretas e brancas). ‘‘Andar de cadeira de rodas nestas calçadas é um suplício. Trepida demais’’, reclama Casarin.Portadores de deficiências físicas se reúnem para fazer exercícios físicos e jogar basquete sob a orientação de professores e alunos
Vânia MoreiraMais espaçoUma vez por semana, os deficientes se exercitam, praticam esportes, se divertem e fazem novas amizades. Abaixo, o presidente da Adefiu, Luiz Fernando Melo Costa, e o coordenador do projeto da Unipar, José Irineu Gorla

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