UNIP pune alunos que reclamaram da qualidade de ensino
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 16 (AE) - O coordenador do curso de direito da Universidade Paulista (Unip), em Campinas, Ricardo José Negrão Nogueira, baixou hoje portaria punindo com a suspensão de bolsas de estudo um grupo de alunos que protestou contra os métodos de ensino de um dos professores. Os estudantes pretendem recorrer da decisão.
A portaria abrange 120 estudantes do 2º ano de direito, que reclamavam da qualidade das aulas dadas pelo professor Rolff Milani de Carvalho. No último dia 1º, quando Carvalho entrou na sala para trabalhar, os alunos deixaram o local, em sinal de protesto. O boicote repetiu-se, no mesmo dia, em duas salas de aula.
Depois de ouvir os alunos, o coordenador do curso decidiu substituir o professor. "Não havia mais clima entre as duas partes", explicou Nogueira. Hoje, porém, ele surpreendeu os estudantes, baixando a portaria com uma série de punições. Além do corte nas bolsas de estudo já concedidas, o coordenador determinou o indeferimento de pedidos de transferência e de trancamento de matrícula.
No artigo 4 da portaria, Nogueira determina que a Comissão Disciplinar da Unip instaure um inquérito interno para apurar o caso em 30 dias. Ele disse que o desligamento do aluno é previsto em casos de aliciamento ou incitação de movimento que tenha por finalidade paralisar as atividades escolares. "Considero a manifestação ofensiva ao professor", disse.
"Achamos as punições exageradas", afirmou hoje o presidente do Centro Acadêmico do curso de direito, Carlos Augusto Benassi. Segundo ele, os estudantes deverão entrar com recurso administrativo pedindo a revisão da portaria. "Não quero comentar a atitude de meus colegas, mas acredito que houve arbitrariedade por parte da direção", disse Benassi.
O coordenador do curso rebateu a afirmação do estudante. "As punições têm caráter pedagógico", afirmou Nogueira, que é procurador de Justiça do estado. Segundo ele, se os alunos entrarem com recurso no prazo de cinco dias, ou apresentarem um pedido formal de desculpas ao professor, no mesmo prazo, as punições serão retiradas.


