Belfast, 27 (AE-AP) - O conselho superior do principal grupo protestante da Irlanda do Norte, o Partido Unionista do Ulster (UUP), aprovou hoje (27) o compromisso de aceitar políticos católicos na formação de um futuro governo autônomo local.
Em votação secreta, a proposta foi aprovada por 480 votos a 349. Mas os unionistas (pró-Grã-Bretanha) fizeram uma ressalva à moção: sua aprovação final só será ratificada em fevereiro, depois de a organização católica Exército Repúblicano Irlandês (IRA) iniciar seu desarme.
Os unionistas aceitaram a proposta - que dá sobrevida ao abalado Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa de 1998 - depois de o líder do partido, David Trimble, comprometer-se a abandonar o futuro novo governo, caso o IRA não deponha suas armas.
O governo britânico, por meio do primeiro-ministro, Tony Blair, saudou a decisão do partido. "Estamos agora de novo nos movendo para a posição de construir uma paz definitiva na Irlanda do Norte", declarou, ao saber do resultado da votação.
Com a aprovação de seu partido, Trimble volta a ter sinal verde para iniciar negociações com os líderes católicos do Sinn Fein - braço político do IRA - sobre a formação de um gabinete. O próximo passo é a negociação, com a mediação do ex-senador americano George Mitchell, da formação de um gabinete com os quatro principais partidos - dos quais os mais representativos são o UUP e o Sinn Fein - da província britânica. Trimble é o mais cotado para assumir a liderança do gabinete de 12 membros, integrado por católicos e protestantes norte-irlandeses.
O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa prevê a concessão de amplos poderes políticos e administrativos ao Ulster, mas mantém a província sob a égide da coroa britânica. O cronograma do acordo, porém, tem sofrido atraso por causa da relutância do IRA em desarmar-se. Essa resistência atrasou a formação do gabinete de administração autônoma, que deveria ter sido anunciado em novembro do ano passado.
Católicos e protestantes, contudo, asseguram que cumprirão o prazo para desarmamento das facções em luta no Ulster, que se encerra em maio.
Por meio do Sinn Fein, o IRA mostrou-se disposto a aceitar um cessar-fogo em 1997, depois de sua campanha de três décadas para tornar a Irlanda do Norte independente da Grã-Bretanha. O conflito entre os católicos e os protestantes unionistas causou a morte de cerca de 1.800 pessoas nesse período.

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