Londrina - O Superior Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais homossexuais somente no início deste mês. No entanto, a prática já estava acontecendo em Londrina há pelo menos dois anos. Somente em 2010, o Cartório Fugiwara, da 14 Serventia Notarial, realizou cerca de vinte Escrituras Públicas Declaratórias de Instituição de Sociedade Convencional Homoafetiva. A procura aumentou significativamente no ano passado, quando a Justiça começou a se manifestar favoravelmente em relação ao assunto.
''A vontade do casal é oficializar a relação e principalmente assegurar os direitos inerentes à união estável, optando na maioria das vezes pela comunhão universal de bens'', explicou o auxiliar do cartório Carlos Alexandre Amarantes. Normalmente, segundo ele, o casal leva pelo menos duas testemunhas e faz questão de registrar o momento com fotos. Além disso, já aconteceu a tradicional troca de alianças e até beijo entre os recém-casados.
''É realmente um 'casamento'. Teve um casal de mulheres que chegou a enfeitar com bexigas a sala onde a união foi oficializada'', relatou Amarantes, ressaltando que a prática garante a diginidade da pessoa humana, evitando qualquer tipo de preconceito, conforme prevê a Constituição Federal. Outros cartórios de Londrina também oficializam a união homoafetiva há algum tempo.
Há cerca de oito meses, o casal J.C.S. e P.C.G., ambos de 40 anos, oficializou a relação de quase 13 anos na 14 Serventia Notorial de Londrina. ''Foi uma forma de manifestar o amor e o respeito que sentimos um pelo outro e também de garantir nossos direitos enquanto casal. Nós conquistamos muitas coisas juntos'', explicaram. Segundo eles, a vontade de oficializar a união perante a lei já existia há algum tempo. ''Na falta de um de nós, é o outro que vai ficar com os bens. Além disso, em caso de doença ou em qualquer outra situação um pode responder pelo outro. Isso é uma tranquilidade.''
Para o casal, a decisão do STF representa um avanço, mas ainda existe muito preconceito. ''Infelizmente, a evolução é muito lenta. Vemos discriminação devido à opção sexual diariamente. Mas nós somos respeitados e não sentimos tanto o preconceito pelo nosso poder aquisitivo'', falaram.
Há uma semana, os vendedores Luís Fernando e Willian Luan, ambos de 21 anos, também deram um passo importante ao oficializar a relação de aproximadamente um ano. ''Conseguimos mostrar o nosso amor e garantir os nossos direitos'', observou Luís Fernando. Segundo ele, a decisão do STF pode ser considerada um avanço para a comunidade gay e para a sociedade como um todo. ''Com isso, passamos a ser reconhecidos. As pessoas precisam entender que homossexualismo não é doença. Ainda há muito estranhamento'', desabafou Willian.

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