Unificação de polícias em SP começa amanhã, mas mantém distorção em alguns bairros
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 30 (AE) - A unificação das áreas de cada unidade das polícias Civil e Militar, que começa a funcionar amanhã (01), não corrige o fato do maior número de policiais estar concentrado no centro de São Paulo e a falta existente nas zonas leste e sul, onde é registrada a maioria das chacinas e dos assassinatos ocorridos na cidade. Exemplos: para patrulhar os bairros de Guaianases e Cidade Tiradentes, ambos na zona leste, a PM dispõe apenas da 4.ª Companhia do 19.º Batalhão; já Pinheiros, na zona oeste, tem duas companhias, a 1.ª e a 2ª do 23.º Batalhão; nos dias úteis, o centro concentra o maior número de ocorrências, como roubos e furtos, mas, nos fins de semana, os assassinatos na periferia tornam-se a principal preocupação da polícia sem que a estrutura do patrulhamento seja alterada.
Para tentar acabar com esse problema e integrar melhor as áreas das duas polícias, a PM pretende ter uma companhia para patrulhar a área de cada distrito policial. Hoje, São Paulo possui 57 companhias da corporação e 93 delegacias. O comandante-geral da PM, coronel Rui César Melo, anunciou que a meta da corporação é fazer esse aumento até o fim do ano. Hoje, Melo, o delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, o secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, e o governador Mário Covas reuniram-se com os cerca de 200 delegados e oficiais da PM que chefiam as delegacias e companhias da capital. Eles apresentaram o projeto de união de áreas e explicaram o plano que pretende integrar a ação e o planejamento das duas polícias. "Ficará mais fácil cobrar resultados e planejar com mais eficiência", disse Covas.
Depois da capital, será a vez dos outros municípios da região metropolitana. Por último, a uniformização das áreas será feita no interior. O secretário Petrelluzzi explicou que o delegado e o oficial da PM encarregados por um bairro vão estabelecer metas de combate à criminalidade e elas deverão ser cumpridas. Eles devem planejar operações conjuntas e controlar as estatísticas de criminalidade. Redução - O secretário afirmou que a secretaria também trabalha com metas para a redução dos crimes, mas ele não quis divulgá-las. Na reunião, Covas voltou a defender a meta de sua campanha de reeleição: reduzir em 50% os homicídios no Estado em quatro anos.
Com a unificação, algumas companhias da Polícia Militar, chefiadas por capitães, vão deixar de pertencer a um batalhão, ficando subordinadas a outro. Nesses casos, a alteração será apenas na cadeia de comando. Além disso, serão mudadas também as regiões de cada pelotão, comandado por tenentes ou sargentos, e das áreas que cada carro da corporação deve patrulhar.
Além dessas alterações, o secretário, que na reunião chamou o delegado-geral de "coronel Desgualdo" e o comandante-geral de "doutor Rui César", disse que será possível, em breve, cada delegacia saber o que está ocorrendo nas delegacias vizinhas por meio da interligação dos computadores da polícia. Até hoje, os computadores não funcionam em rede. Assim, se uma mesma quadrilha comete crime em bairros distintos, as delegacias vizinhas ficam sem saber.


