Unifi chega ao Brasil e investe até US$ 75 milhões em 99
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 24 (AE) - A fabricante norteamericana de fios texturizados de poliéster Unifi comprou duas fábricas que anteriormente pertenciam à Hoechst alemã, uma em Alfenas (MG) e outra em Jacareí (SP), no Vale do Paraíba, aplicando recursos de até US$ 75 milhões. Segundo o vice-presidente mundial para a área de fios poliéster, Stewart Little, que esteve no Brasil nos últimos dias, dentro do total do investimento está o valor da compra das fábricas e investimentos que já estão sendo realizados para a modernização da tinturaria de Jacareí.
Little participou de reuniões com grandes clientes e também visitou as unidades industriais. Ele disse ter considerado a fábrica de Alfenas similar às mais modernas que a Unifi possui nos Estados Unidos. "Viemos para cá para também sermos o líder de mercado. Já temos de 65% a 70% do mercado americano de fios texturizados de poliéster", disse.
O vice-presidente mundial da Unifi, explicou sua companhia possui fábrica na Irlanda, para abastecer toda a Europa, e que agora, com as unidades do Brasil, vai atender o Mercosul e outros países da região. "Também pensamos no futuro em cobrir a ásia", disse. A Unifi tem ações em bolsa nos Estados Unidos.
Conjuntura - O executivo disse que a Unifi, ao se decidir pelo investimento no País, não só observou o momento atual, mas o longo prazo. "O que nos surpreendeu em relação ao Brasil foi o seu poder de recuperação diante de uma turbulência como enfrentou entre janeiro e fevereiro últimos. O seu poder de recuperação foi esplêndido."
A Unifi conhece o mercado brasileiro de fios texturizados de poliéster desde 1990, quando exportava o seu produto para cá, disse Little. "A compra no Brasil foi negociada com a Hoechst, com quem já tínhamos há anos um relacionamento nos Estados Unidos. Como a Hoechst está em processo de fusão com a Rhôune-Poulenc, da França, resolveu vender seus negócios de poliéster no Brasil. Nós analisamos e acabamos por comprar as duas fábricas", contou.
O presidente da Unifi do Brasil, Frank Hanes disse que a decisão de investir no Brasil também se deve ao fato de que "este é um grande mercado potencial. Queremos trazer para este mercado nossa qualidade, inovação e capacidade tecnológica para atender às necessidades dos nossos clientes".
Mercado - O mercado brasileiro de filamentos de poliéster têxtil movimentou cerca de 100 mil toneladas em 1998. Desse total, 25% foram importados. Com a mudança no câmbio, a expectativa é de que o total das importações diminua, aumentando a demanda por filamentos produzidos no mercado interno, além de abrir novas perspectivas para exportação. "Queremos crescer dentro deste mercado", disse o diretor comercial da companhia no Brasil, Edgar Ascher.


