São Paulo, 18 (AE) - A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vai iniciar uma pesquisa para identificar os genes responsáveis pela hipertensão na população paulista. A iniciativa é do médico Jader Baima, da Unidade de Hipertensão - Nefrologia da Unifesp, que realizou trabalho semelhante na Universidade de Boston, Estados Unidos. "Vamos estudar o gene da hipertensão em, pelo menos, cem famílias da capital", disse Baima.
Descobrir os genes responsáveis pela hipertensão pode abrir várias portas para a pesquisa de drogas. Estima-se que haja 15 genes associados à doença, embora hoje apenas 1 esteja identificado: o angiotensinogênio.
A técnica "linkage", usada nos Estados Unidos, deverá ser adotada no Brasil. Nela, são estudados os genes do paciente e de seus familiares próximos (pais ou irmãos). Por ser uma doença hereditária, é importante que a pesquisa avalie o material genético familiar. A trabalho será publicado na revista médica Hypertension.
O estudo de Boston faz parte do Projeto Genoma, pesquisa mundial que visa a identificar todos os genes do corpo até o ano 2005.
O grupo norte-americano avaliou os genes em 125 irmãos brancos e 89 negros. A sequência genética dos irmãos foi comparada até serem identificadas variações semelhantes. "Por serem pacientes hipertensos, qualquer variação genética que estivesse presente nos dois irmãos era uma causa possível da doença", disse Baima.
Além de encontrar a região de um dos genes que provoca a hipertensão, o estudo determinou que esse gene, presente no cromossomo 17, está relacionado à doença apenas em pessoas de cor branca.

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