Unidos da Tijuca investe na "beleza de raiz" de Fábia Borges
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 10 (AE) - A ascedência é legítima do samba. A beleza, sem comentários. A morena Fábia Borges é diferente de outras tantas modelos que, uma vez por ano, exibem seus corpos esculturais na Marquês de Sapucaí, à procura da fama efêmera provocada pelos flashes e pelas câmeras de tevê. Ela é o que se pode classificar de "beleza de raiz", algo que está sumindo do carnaval carioca. Filha da eterna porta-bandeira Juju Maravilha, que fez história na Beija- Flor e na Unidos da Tijuca, falecida no mês passado, Fábia acompanha - ou melhor, respira - carnaval o ano inteiro. "O samba está no meu sangue", afirma. E tinha que estar. Dos seus generosos 23 anos, 17 foram passados entre o baticum da quadra e o desfile na avenida.
Levada pela mãe, a menina pisou na Marquês de Sapucaí quando as arquibancadas da Passarela do Samba ainda não passavam de improvisadas estruturas metálicas. "Tinha seis anos quando desfilei pela primeira vez como passista mirim da Beija-Flor", lembra Fábia, que, pelo terceiro ano consecutivo, será a rainha da bateria da Unidos da Tijuca - uma concessão que o presidente da escola, Fernando Horta, só abre para a filha de Juju.
A explicação de Horta é simples: "Sou contra essa história das escolas colocararem modelos como rainha de bateria sem qualquer ligação com os ritmistas". O presidente da Unidos leva tão a sério seu pensamento que nos dois anos que Fábia esteve ausente da agremiação - 94 e 95 - ninguém ocupou seu lugar. "Eu desfilei como rainha pela primeira vez em 93, depois sai e voltei em 96, junto com minha mãe", conta a moça, que, ao contrário de outras rainhas e madrinhas, conhece não só os ritmistas que comanda, como também todas as pessoas que fazem o carnaval da azul-e-amarelo da Tijuca.
A escola, aliás, ainda não engoliu a 13º colocação no carnaval de 1998 que a rebaixou para o Grupo de Acesso. "Descobrimos que dos 46 jurados, 37 eram flamenguistas", afirma Horta, que, no ano passado, fez uma homenagem ao centenário do Vasco da Gama. Para esse carnaval, a Unidos da Tijuca falará sobre os índios brasileiros no enredo "O Dono da Terra". Pena que rainha de bateria ainda não virou quesito. Se não, Fábia Borges ganharia nota 10 e, quem sabe, ajudaria a Unidos da Tijuca a voltar ao grupo das 14 grandes do carnaval carioca.


