Unidos da Ponte desiste de desfilar no Grupo Especial
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 04 (AE) - Depois de longa batalha judicial, a Escola de Samba Unidos da Ponte desistiu de sair no Grupo Especial - o das grandes agremiações do Rio que fazem os desfiles de domingo e de segunda-feira. Ela vai ser a última a desfilar no Grupo de Acesso. Seu enredo "O Samba é a Minha Voz" é uma homenagem a todos os sambas-enredo que fizeram a fama do carnaval carioca e das escolas e compositores.
A briga da Unidos da Ponte com a Liga das Escolas de Samba (Liesa) começou há três anos, quando a escola ficou em último lugar no desfile das grandes e caiu para o Grupo de Acesso. A escola se considerou prejudicada pela cronometragem don desfile. Este ano, duas liminares do Superior Tribunal de Justiça deixaram a Ponte numa situação controvertida: teria direito a sair no Grupo Especial, mas não à verba distribuídas às outras escolas.
Diante da situação, foi acertado um acordo que envolve indenização de R$ 500 mil, a serem pagos pela Liesa. A Liga já assinou o documento, mas ele ainda precisa do aval da Riotur e da Procuradoria do Município, além da homologação do juiz da 10ª Vara da Fazenda, onde a questão teve início. A previsão é de que o dinheiro saia no início da próxima semana, a tempo de ser usado no carnaval deste ano, espera o presidente da escola, Roberto Pontes.
De acordo com Pontes, a verba vai zerar as contas da escola e pagar o desfile desse ano, orçado em R$ 150 mil. "Estamos devendo a fornecedores de carnavais passados e também aos advogados que nos defenderam nesta causa", explica o presidente da escola. "Por isso vai ser a conta exata, para um carnaval bonito, não suficiente para o Grupo Especial, mas bom o bastante para subir." Por ter decidido sua situação às vésperas do carnaval, a Unidos da Ponte não entrou no sorteio da ordem do desfile e vai ser a última de sábado, ou seja, entra na Marquês de Sapucaí na manhã de domingo, com o dia claro. "Mas isso não vai nos atrapalhar, porque temos experiência em abrir ou fechar o sambódromo", diz o vice-presidente, Orlando Augusto de Souza. A Unidos da Ponte terá 2.500 componentes, 100 baianas, 250 ritmistas e muita animação."Se tudo der certo, estaremos lá no ano que vem", diz Souza.


